sexta-feira, 18 de dezembro de 2009




Acaba de sair mais um número da prestigiada Revista RAMA. Pode ser uma boa prenda de Natal. Veja aqui: http://www.revistadeartesmarciales.com/












Psicología, discapacidad física, y la aplicación de la consciencia plena budista a los programas de artes marciales, por Mark D. Kelland.
Taiji estilo Xiong en Taiwán: desarrollo histórico y exposición fotográfica protagonizada por el maestro Lin Jianhong, por Michael A. DeMarco.
Piratas de las Filipinas: un ejercicio de pensamiento crítico, por Ruel A. Macaraeg.
La estrangulación carotídea: dormir, ¿tal vez morir?, por Marc Rowe y Lee Wedlake.
Artículo original de la edición española: La lanza: el arma principal en la tradición marcial iraní, por Manouchehr Moshtagh Khorasani.
Artículo original de la edición española: Defensa integral penitenciaria, por Francisco Javier Rodríguez Román.
Arthur Rosenfeld: artista marcial y narrador de historias, por Thomas H. Bailey.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

The 21st Pan-Asian Congress of Sports & Physical Education

The 21st Pan-Asian Congress of Sports & Physical Education
Organized by Jiangxi Normal University
Cooperated by Pan-Asian Society of Sports & PE
Int'l Society of Eastern Sports & PE
Site: Jiangxi Normal Univ., Nanchang, Jiangxi Province, China - located between Shanghai & Hongkong
Date: April 23~24, 2010
Contact: Prof./Dr. Zheng, Guo-Hua, Jiangxi Normal Univ. zgh943081@126.com
or Asian Chief Editor, Prof./Dr. Jong Lee
jolee@suwon.ac.kr

terça-feira, 24 de novembro de 2009

E assim vai a FNK-P

in http://karatedopt.blogspot.com/ (23/11/2009).

«Demitiu-se o Director do Departamento de Formação da FNK-P
Todos aqueles que prescindem de liberdades essenciaispara comprar um pouco de segurança temporárianão merecem a liberdade nem a segurança.Benjamim Franklin
A consumação de um facto
A Federação Nacional de Karaté-Portugal encontra-se desde a passada sexta-feira sem mais um elemento da Direcção e sem Director do Departamento de Formação. Ao fim de um longo período de reflexão e de troca de opiniões com alguns elementos mais próximos da minha pessoa, acabei por assumir a minha demissão, consciente que a própria vida é formada por um conjunto de opções: umas são correctas, outras menos correctas... e outras são erradas, servindo o erro pura e simplesmente para ser rectificado e não se voltar a repetir.
Não é motivo relevante esta demissão porque não há pessoas insubstituíveis e porque não há trabalho que não possa ser melhorado e executado com maior eficácia e eficiência, logo com mais rentabilidade e melhores resultados.
O facto de ter desempenhado funções num órgão institucional não é de nenhuma maneira limitativo da possibilidade de possuir as minhas próprias ideias. Do mesmo modo, não pode a minha liberdade de expressão ser cerceada nem por isso posso ser condenado por delito de opinião. Mas realce-se que a posição que neste documento apresento é pura e simplesmente pessoal. Dirijo-me a todos aqueles que quase diariamente envergam um gi, mas também a todos os dirigentes e restantes agentes desportivos envolvidos no Karaté nacional, mais no papel de treinador do que em qualquer outro. E tal como treinador, individualmente também tenho o direito e a liberdade para me dirigir a colegas meus. O que faço também como responsável por dois dojos e como representante em Portugal da Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Kyokai.
Não me dirijo a ninguém em especial, porque penso ser relevante comunicar – e comunicar é colocar em comum – um conjunto de preocupações, no final do meu desempenho como Director do Departamento de Formação da FNK-P. Dois anos de enriquecimento, dois anos de partilha em que, como diria José Fanha, sem remorso ou ilusão fui neste espaço o que sou, nunca direi foi em vão tudo o que aqui se passou. Se esta comunicação peca por tardia, então ela tem toda a sua razão de ser. Se ela é apresentada no momento exacto, então é irrelevante. Isto porque há os que vivem do Karaté, há os que sabem viver do Karaté e há os que vivem para o Karaté.
Encontramo-nos num final de um ciclo legislativo anunciado pelos novos estatutos aprovados a 23 de Agosto mas curiosamente 3 meses depois ainda não registados mas logo colocados na página da net da FNK-P.
Demiti-me principalmente em confronto com um modelo de gestão autocrático imprimido por uma única pessoa. Demiti-me principalmente por falta de informação que me era sistematicamente sonegada. Demiti-me principalmente por falta de acesso a certos conhecimentos. Demiti-me por discordar de muita coisa... Mas também me demiti consciente de erros cometidos por mim próprio, pois também tenho telhados de vidro...
Encontramo-nos num final de um ciclo de amadorismo do qual convém dar o salto. Uma Federação sem estruturas profissionalizadas não passará daquilo que tem eternamente sido: uma funcionária administrativa que sozinha não consegue dar vazão a todo o trabalho burocrático, um Presidente que procura estar sempre em todo o lado e dentro de todos assuntos deliberando por vezes coisas que não são da sua competência e não dando o respectivo espaço de manobra aos vários Departamentos e Directores que em vez de dirigirem, gerirem e organizarem, acabam por fazer todo o trabalho de sapa. Moral da história: escasseiam os meios humanos, fracassa a organização deteriora-se a realização.
Isto porque o final deste ciclo determina novos modelos de gestão: uma só federação por modalidade desportiva, delegados que representam uma única entidade, cada um só com um voto e proibição de votos por procuração ou por correspondência.
Um diagnóstico da situação
Um diagnóstico da modalidade aponta para cinco questões essenciais: a primeira, relacionada com a profissionalização (ou com a contratualização) dos intervenientes nas várias estruturas; a segunda relacionada com o facto de termos uma carreira única – neste momento há competidores que são simultaneamente treinadores e técnicos de arbitragem, outros há que são no mesmo tempo e no mesmo espaço treinadores, árbitros e dirigentes; a terceira refere-se ao facto da maioria dos praticantes de Karaté, e até alguns dirigentes ou outros agentes desportivos, desconhecerem a legislação que rege a nossa modalidade e, embora isso são seja desculpabilizante, infringirem constantemente a mesma (e de que nos serve ter legislação quando os factos não são fiscalizados e a mesma não é cumprida?); a quarta relacionada com os escassos recursos administrativos da Federação e com a excessiva centralização dos mesmos; a quinta com a aplicação das verbas de cada rubrica nos eventos dessas mesmas rubricas e não como, por exemplo, serem aqueles que pagam os seus cursos de formação a suportarem as deslocações das selecções nacionais lá fora enquanto árbitros e formadores continuam à espera das suas remunerações.
Questões de uma ou numa actividade onde muitos não são profissionais mas que deveriam encarar a mesma com profissionalismo, questões inerentes a uma modalidade onde cada um deveria ser exigente consigo próprio.
A evolução da modalidade depende do que a grande maioria pretender: de imposições federativas com mão férrea numa democracia (que existe, segundo se consta) ou com o envolvimento de todos – e sem envolvimento não há desenvolvimento – num estado de direito (que nos dizem existir). O progresso da modalidade presume-se num estado crítico: o estado a que isto chegou!...
E por que não carreiras diferenciadas e um quadro competitivo (com separação entre «julgar» e «formar») em que os árbitros não sejam treinadores e vice-versa?
E por que não campeonatos regionais de crianças e jovens onde alguns não tenham de fazer 600 quilómetros para só apresentarem uma kata ou fazerem um kumite e regressarem a casa? E porque não repescar também os que chegam à meia-final de cada poule – só os que perdem com os finalistas possuem esse direito?
E por que não os centros de prática como associados ordinários em vez das associações de estilo? Ou o recurso a associações regionais?
Verificamos que a projecção para o exterior é um facto, como o justificam os últimos resultados positivos alcançados, mas em detrimento da organização interior.
O exemplo do actual modelo representativo e organizativo
Considerando que o praticante e/ou o competidor são o cerne de todo este processo, situando-se o treinador como charneira central do mesmo, o que acontece no modelo actual?
O sócio ordinário da federação continua a ser a associação, a qual pode ter 10 locais de treino, ou 10 centros de prática (dojos), com 20 praticantes, por hipótese, em cada um. Isto traduz-se numa quotização de 500€ anuais, mais 1000€ da inscrição dos praticantes (para além das eventuais inscrições anuais dos treinadores). Ora, recebe mais a federação pelos praticantes do que pela existência de uma associação. Isto deve-se ao trabalho realizado pelo treinador – a figura central neste processo: sem treinador não há praticantes, logo, sem treinador não há federação. Mas muitas associações só estarão representadas num Conselho Geral (que só tem funções consultivas e é dirigido pelo Presidente da Federação) onde normalmente é o presidente da direcção da associação que vota (não questionamos se consultou ou não os seus associados), mesmo que os 10 treinadores possam ter uma tendência de voto contrária. E será deste Conselho Geral que sairão os delegados à Assembleia-Geral – verificamos que sonhamos o futuro com base no modelo antigo... mas ai de quem sonha o futuro, de olhos fitos no passado, como exclamou Casais Monteiro.
Continuará a ser um modelo em que muita da informação veiculada para as associações (algumas, felizmente!) não chegará sequer aos principais intervenientes no processo formativo – os treinadores – pois continuará a ficar retida ou só na posse dos receptores dos e-mails. Continuará a ser um modelo em que muitas associações não conseguirão fazer ouvir a sua voz.
O Decreto-Lei n.º 248-B/2008, de 31 de Dezembro, publicado no D.R. n.º 252, 3.º Suplemento, Série I de 2008-12-31, impõe-nos não só um novo modelo representativo, mas também um novo modelo organizativo.
A representação nas Assembleias-Gerais passará a ser feita por delegados que representam uma única entidade e só com um voto, deixará de haver votos por procuração ou por correspondência e estas serão constituídas por 53 elementos elementos, onde estarão representadas 37 organizações (associações, clubes, dojos?) 8 representantes dos praticantes, 4 representantes dos árbitros e 4 representantes dos treinadores. Em relação a estes últimos, temos uma associação de classe de treinadores e uma outra de técnicos de arbitragem, mas há que definir quem serão e quem representarão estes restantes 16 delegados... será função do Conselho Geral, mas que o serão através de um regime de votação semelhante (pelas associações) – temos aqui um ciclo dialógico, em que a causa dá origem ao efeito e este exerce uma retroacção sobre a mesma, em que, afinal, o produto se torna produtor.
Mas também o novo modelo nos empurra para uma regionalização, pois estão há muito definidas as áreas geográficas em que decorrem os campeonatos regionais. O número 1 do artigo 31º do referido Decreto-Lei especifica que os clubes participantes em quadros competitivos de âmbito territorial específico se agrupam em associações de clubes organizadas de acordo com a área geográfica em que decorram as respectivas competições.
O que mais uma vez vem reforçar a ideia que de facto os associados da Federação deveriam ser os centros de prática... e a representação nas Assembleias-Gerais ser feita através das associações regionais (e temos seis regiões) e dos dojos com maior número de atletas. Seria um modelo com uma maior representatividade, mais benéfico economicamente para a Federação e mais económico para os dojos e para as associações. Ficou esta regionalização para “um futuro melhor”. Nesse sentido apresentei em devido tempo à Direcção um projecto de estatutos baseado nestas directrizes... mas caiu em saco roto, pois apesar de me ter sido prometido que seria apresentado à SEDJ para parecer nem isso foi. Também em Fevereiro de 2008 apresentei um novo projecto de regulamento de formação de treinadores, o qual também ficou na gaveta...
Por que trazer aqui estes assuntos? Porque temos de os encarar de frente e por muito que desagrade este modelo a alguns, recordo-me de Camões quando dizia: Já me desenganei que de queixar-me / Não se alcança remédio; mas quem pena / Forçado lhe é gritar, se a dor é grande. / Gritarei; mas é débil e pequena / A voz pera poder desabafar-me.
Mas será de realçar que este novo modelo nos responsabiliza mais ao tornar-nos mais intervenientes e participativos, o que significa que nos terá de tornar mais críticos no sentido positivo.
Não adiemos o futuro
As críticas – e todos somos criticáveis – podem ser provenientes de todos os quadrantes da sociedade e devem ser sempre bem-vindas, tal como as sugestões ou os apoios, desde que fundamentadas e alicerçadas em argumentos palpáveis. Pelo menos, sempre as encarei assim...
Mas verificamos que normalmente as críticas surgem com o sentido de rebaixar ou até mesmo de humilhar e de destruir, sendo curioso que normalmente são provenientes de pessoas que revelam nas mesmas nem sequer terem conhecimento de causa sobre o que estão a falar...
Por duas vezes apresentei participações disciplinares à Direcção na pessoa do Sr. Presidente. Uma sobre utilização ilegal do logótipo e outra sobre a actuação de um competidor num campeonato... nenhuma delas chegou ao Conselho de Disciplina!
Utiliza-se ilegalmente o logótipo da FNK-P, critica-se a Federação (quando o que se pretende é criticar a Direcção), acusa-se o Presidente, fala-se mal da arbitragem, criticam--se as organizações, criticam-se os treinadores, criticam-se os atletas (até se criticam certos eventos antes deles se desenrolarem!!)… Mas recorrendo a Sidónio Muralha, acuso as falas e os gestos inúteis; aponto as ruas tristes da cidade e crivo de bocejos as meninas fúteis....
Agendam-se actividades associativas sobre – coincidentes com – eventos marcados no calendário de actividades da Federação quando estas deveriam ser precedidas de parecer emitido pela Federação – basta consultar o Artigo 32º da LBAFD.
Havia e há (continuam a haver!) campeonatos nacionais de todas as associações e selecções nacionais de todos os estilos sem se cumprir o estipulado nos artigos 16º da LBAFD e 61º do RJFD.
Mas o pior de tudo isto é fecharmos os olhos a tudo isto!
O pior de tudo isto (as tais incompatibilidades) é que não poderá haver membros dos órgão gerentes que possam continuar a ser treinadores ou treinadores que possam continuar a ser membros dos órgãos gerentes... tal como membros do Conselho de Arbitragem que não poderão arbitrar...
E quanto às incompatibilidades, se para se ser Director tem de se deixar de ser Treinador (logo a não poder usufruir das receitas do seu trabalho no campo do ensino e do treino) terá a Federação capacidade para remunerar os seus Directores? Parece-me que sim, pois com cerca de 70 associações e 15.000 praticantes a pagarem e se a Federação tem capacidade para pagar uma avença mensal a um advogado que pouco tem que fazer durante o ano, mais capacidade terá para pagar aos que dedicam um grande número de horas a trabalhar em prol do Karaté. Mas não o fará, porque pagar a estes será não ter verbas para outras coisas, tais como despesas de representação...
E todos os que discordam disto e daquilo, algo do qual está regulamentado, por que não o debateram nas suas associações e nunca propuseram a alteração desses regulamentos em Assembleia-Geral? Perderam a oportunidade, pois a partir de agora será a Direcção a elaborar os diferentes regulamentos... e vá-se lá depois arranjar 20% dos delegados para que estes possam baixar à Assembleia-Geral!
E precisamente por se presumir um estado crítico da modalidade, encontramo-nos num momento de rotura em que aqueles que possuem um desempenho declarativo em dissonância com o seu desempenho processual vão-se auto-excluir, eles próprios, do progresso evolutivo do Karaté.
Restarão aqueles com vontade e com força de abraçarem um novo modelo de gestão, aqueles que estiverem abertos à colaboração, à cooperação e ao contributo, ao empenho e ao desempenho. Esses, construirão o futuro...
Nas palavras de Casimiro de Brito, adiemos o fruto para outro planeta, mas não o neguemos (...) Adiemos o planeta para outro fruto, mas não o neguemos. Nas minhas palavras, não adiemos o futuro nem o neguemos!
Uma reflexão e dois agradecimentos
Ao assumir o Departamento de Formação, em Julho de 2007, deparei-me com o atraso dos resultados de quatro cursos de treinadores. Dois anos de avaliações por efectuar foram solucionados em quatro meses, ao mesmo tempo que pela primeira vez foi apresentado um Programa de Formação e robustecida uma bolsa de formadores, todos com competências pedagógicas, científicas e técnicas. Factos que se devem ao ter-se de imediato elaborado um plano de desenvolvimento estratégico para o Departamento de Formação.
Mais de duas dezenas de formadores permitiram levar a cabo esse programa, tendo sido somente feito um reparo ao Director do Departamento: o de estar a tentar elevar demasiado o nível da formação!
É a esses Formadores que desejo manifestar o meu primeiro agradecimento, pela colaboração e pelo sacrifício, pelo empenhamento e pela partilha, com o orgulho de termos aumentado e consolidado o nosso grupo – e recordo-me aqui da inclusão dos formadores dos Açores na nossa bolsa, região onde, pela primeira vez se realizou um Curso de Treinador Monitor e um Curso de Treinador de Nível I.
Uma nota especial para o modo como fui recebido nos Açores e na Madeira, mas também em Beja, em Viseu, em Santo Tirso e na Guarda.
Pela primeira vez também, e após quase 17 anos consegui reunir os Treinadores de Karaté em Congresso. Quem esteve presente avaliou o mesmo: a sua organização, as instalações, o nível, a importância e o interesse das intervenções, a qualidade dos intervenientes... Fez-se história e lançaram-se as sementes... Os meus agradecimentos também a todos os que tornaram esse Congresso possível. Haja coragem e avance-se para o 2º Congresso Nacional de Treinadores de Karaté.
Durante estes dois anos foram aproximadamente 1200 horas de formação, abrangendo cerca de 560 formandos, em mais de três dezenas acções de formação (umas técnicas, outras pedagógico-didácticas) e uma dúzia de cursos de treinadores – mostrámos que havia a possibilidade de se levar a cabo em conjunto um TM e um TNI, assim como um TM, um TNII e um TNIII.
Transpiração, inspiração e inovação levaram-me a realizar o inimaginável. Foram editados dois livros relevantes para a modalidade: “Da ética desportiva às perversidades no desporto” e “Karaté: entre a tradição e a modernidade”. Dois livros com conteúdo e com qualidade... Quantas federações estarão neste patamar? Haja coragem e avance-se para uma nova publicação.
Poder-se-ia ter feito melhor? Penso que sim, mas os meios e os condicionalismos a isso não me deixaram.
O meu segundo agradecimento vai precisamente para aqueles que aderiram a estas iniciativas, que nelas participaram e que connosco permutaram ideias e conhecimentos, actualizando aquelas e complementando estes, lutando contra uma reprodução e uma entropia, combatendo fundamentalismos curriculares baseados numa visão unilateral, a da técnica e a da graduação em detrimento da científica e da pedagógica, quando as duas deveriam andar de mãos dadas, pois levando em conta António Aleixo, sem darem as mãos, o que uma faz a outra atrofia – a tal luta renhida, sem nada de educativa. E foi exactamente no âmbito educativo e formativo que procurei passar uma mensagem e me cansei de dizer que antes do praticante ou do competidor vem o homem, tal como me cansei de dizer que competição não é sinónimo de guerra nem adversário de inimigo.
Mas tal como nos deixou Fernando Pessoa na sua Mensagem, ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, nem o que é mal, nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro… Ou se parafrasearmos o génio, Ó Karaté, hoje és nevoeiro…
Era esta reflexão que convosco queria partilhar, até porque, como nos disse Piaget, a reflexão é “uma conduta social de discussão, mas interiorizada”.
A todos que duma ou doutra maneira comigo se cruzaram nestes dois anos desejo também agradecer os bons momentos que passámos, mas também os momentos menos felizes porque conseguimos e soubemos ultrapassá-los.
Mas também os meus pedidos de desculpa por algo que não tenha corrido da melhor forma.
Uma certeza, ou duas, para finalizar
Termino com a certeza de que todos aqueles que quase diariamente envergam um gi e todos os dirigentes e restantes agentes desportivos envolvidos no Karaté com vontade de fazer progredir a modalidade levarão a nau a bom porto – e nele bem atracarão. Bastará partilharem e compartilharem em vez de se oporem ou se imporem...
Mas será necessário que não aconteça o que aconteceu até aqui: a quebra de laços de solidariedade entre o Presidente e os membros (ou o membro) da Direcção.
Quando deliberámos em reunião de Direcção que determinado atleta não participaria no Nacional por não ter ido aos regionais por lesão e tal não estar regulamentado, à revelia da Direcção o Presidente resolveu o contrário...
Para o 10º CTNI (Almada), 11º CTNI (St.º Tirso) e 2º CTNII (Carcavelos e Barreiro) foram aceites pelo Presidente inscrições de formandos que não possuíam os créditos necessários para frequentar esses cursos, o que é completamente ilegal de acordo com o Regulamento de Formação de Treinadores, sem o Director do Departamento de Formação de tal ter conhecimento dado as inscrições nos mesmos não serem da sua responsabilidade. Aconteceu isto por quê? Porque o serviço administrativo tem de ser feito pelo Director? Não são os Directores que têm de fazer o trabalho de secretaria. Os Directores “dirigem” por natureza própria... e se uma funcionária não dá vazão aos serviços, profissionalize-se a secretaria! Desde Janeiro que digo para se admitir mais um funcionário... o que até pode ser feito a custo zero... E quantos atletas participaram nos campeonatos sem estarem inscritos na própria Federação? E quantos Treinadores não renovaram as suas inscrições mas participam nas actividades? Falta de controlo? Falta de meios humanos?
Não há diplomas com o novo logótipo? Não estão as cadernetas de treinador actualizadas? Não há diplomas dos cursos de treinadores e de árbitros? O pessoal administrativo é insuficiente? O que se tem feito sobre isto? São muitas perguntas sem resposta!
Tal como mais algumas questões que este ex-membro da Direcção colocou e para as quais nunca obteve resposta. Também termino com a certeza que já não necessito de tais respostas, mas as questões colocadas desde Janeiro do corrente ano aqui ficam para a posteridade.
Qual o apoio que a FNK-P vai dar em relação ao “acordo celebrado entre os organizadores do Campeonato e o Presidente da FNK-P” referente ao anunciado na internet sobre o 1º Campeonato Mundial de Goju-Ryu, a realizar-se em Cascais, de 29 de Setembro a 3 de Outubro, (sendo utilizado o logótipo da FNK-P)?
Qual a receita do 1º Congresso Nacional de Treinadores de Karaté, realizado em Janeiro de 2009 na FMH e qual a receita do 20º CTM realizado na Tapada das Mercês?
O que foi feito do meu pedido de a instauração de um processo de averiguações ao caso “Vítor Silva – Bushido”? O que aconteceu ao pedido que o Director do Departamento de Formação fez ao Presidente solicitando um parecer por escrito ao Dr. Almeida Fernandes sobre o mesmo caso?
O que foram as Jornadas do Conhecimento Desportivo?
Como apoiou a FNK-P o Torneio Manuel Sousa? Tal torneio não constava no calendário federativo mas até o Presidente da FMK cá veio!
Como foram a Itália de 14 a 21 de Junho de 2008 Joaquim Gonçalves e Rui Diz? Se foram participar num projecto relacionado com a formação, porque não foi dele dado conhecimento à Direcção ou ao Departamento de Formação?
Com tanta ida lá fora “a expensas próprias”, como é que o Tesoureiro não sabe quantas pessoas foram a Tóquio, a Paris ou a Zagreb, não sabe quantos dias, não sabe quantos almoços, jantares e dormidas se pagaram, pois só sabe quanto se pagou?
Segundo o relatório e contas, como é que em 2008 o Tesoureiro consegue ter a receber mais do que qualquer formador?
E como é que esse relatório e contas é apresentado a uma Assembleia-Geral sem ser aprovado em reunião de Direcção e com as assinaturas dos Directores fotocopiadas do relatório do ano anterior?
E com que periodicidade reúne a Direcção? A última reunião de Direcção efectuou-se a 12 de Setembro (sem eu ter estado presente, pois foi convocada após se saber que nessa data eu iria estar nos Açores a fazer formação) e hoje já são…
Como é que um curso de formação de treinadores projectado para Carcavelos (no próximo fim de semana) passa de repente para Ermesinde?
Como Director do Departamento de Formação solicitei ao Presidente da FNK-P uma listagem nominal dos formadores e das respectivas quantias que eram devidas a cada um; como Director solicitei ao Presidente da FNK-P uma listagem nominal dos técnicos de arbitragem e das respectivas quantias que eram devidas a cada um. Porque não obtive respostas?
Por último, o Artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 248-B/2008 de 31 de Dezembro, no seu ponto 1 alínea b) diz que as federações desportivas devem publicitar as suas decisões através da disponibilização na respectiva página da Internet de todos os dados relevantes e actualizados relativos à sua actividade, em especial as decisões integrais dos órgãos disciplinares ou jurisdicionais e a respectiva fundamentação (embora observado o regime legal de protecção de dados pessoais). Basta irmos à página da net...
Mas como é possível termos neste momento dois treinadores suspensos e continuar a participar nas actividades da FNK-P? Apresentaram recurso para o Conselho Jurisdicional, alegam eles, mas apresentaram-nos-o a quem? Ao Sr. Presidente? Então não deveriam ter seguido os órgãos hierárquicos e apresentá-lom ao Conselho de Disciplina? Ou não deveria o Sr. Presidente ao ter recebido esses recursos enviá-los de imediato ao Conselho de Disciplina para este os remeter ao Conselho Jurisdicional?
Mas não resisto a uma última pergunta: será possível agradar a gregos e troianos?
Se felizmente já não necessito de obter respostas... basta-me compreender as perguntas.
E resta-me a consolação de não ter gasto dinheiro à FNK-P, nem por ir oficialmente nem por ir a expensas próprias a Triestre, a Zagreb, a Paris, a Tóquio ou a Marrocos.
Para alguns que me criticaram como estando ao lado do sistema, aqui fica o meu comprovativo!
No momento em que pela primeira vez foi defendida no ISEIT uma tese de licenciatura sobre novas metodologias de treino no Karaté, no momento em que pela primeira vez um estagiário da FMH escolhe para fazer do Karaté a modalidade para realizar o seu estágio, a nossa modalidade merecia ser tratada (pelos seus próprios dirigentes) de outro modo a nível nacional – com mais e maior empenhamento, mais responsabilidade, mais competência e mais profissionalismo.
Dizia atrás que terminava com uma certeza. Termino com outra certeza: o progresso da modalidade depende de como se vier a modificar o estado a que isto chegou!...

Mas também termino com a mesma certeza de Sidónio Muralha: não nos responde o céu cinzento e opaco, nem o sorriso de pedra e impenetrável dos nichos... – só nós sabemos porque vivemos num buraco, encurralados como bichos.

De facto, só nós sabemos porque vivemos num buraco, encurralados como bichos.
Só nós sabemos... ...

Armando Inocentes»

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Iconoclastas à la carte

«Iconoclastas à la carte / Se saem os crucifixos das escolas, porque não as imagens do Presidente da República das repartições públicas, e a bandeira nacional da generalidade de sítios comuns? / Se saem as cruzes dos estabelecimentos de ensino público, o que faz a imagem do primeiro-ministro em certos departamentos? / E, já agora, o que fazer com estátuas, e outros monumentos, que exibem, à frente de todos, as tradições monárquicas e republicanas, cristãs e seculares, francófonas e anglófonas, reaccionárias e revolucionárias, pacifistas e bélicas, do velho Portugal de oito séculos? / E os nomes das ruas? Haverá sempre quem não goste de Norton de Matos, ou do Marquês de Pombal, ou de Afonso Costa, ou de Salvador Allende. / E os sinais rotários e maçónicos? E os presépios? E o hino? / O que fazer para não agredir os monárquicos, os anarquistas, os objectores de consciência, os federalistas europeus, etc. / E quem decide? O povo local ou o Terreiro do Paço? / Ou o Grande Irmão?», (Nuno Rogeiro, Politólogo, Revista Sábado, p. 45).

Uma pérola

Isaltino Morais, actual Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, condenado por corrupção, faz esta declaração à Pública: "Eu próprio me questiono se votaria num cidadão condenado".

Justiça...

Ao que parece, o fisco deixou caducar uma dívida de 164 mil Euros de Manuel Godinho. E depois pede-se sacrifícios aos contribuintes...

Artigos Científicos Sobre Artes Marciais e Desportos de Combate

Divulgo alguns artigos sobre a temática "artes marciais e desportos de combate":

1. ROSA, Vítor (2009), «Recensão do Livro Karaté: entre a tradição e a modernidade… ou dos princípios à contemporaneidade», in Revista de Artes Marciales Asiáticas, vol. 4, n.º 3, septiembre, Universidad de León (España), p. 119.

2. ROSA, Vítor (2009), «Informe sobre el II Congresso Científico de Artes Marciais e Desportos de Combate», in Revista de Artes Marciales Asiáticas, vol. 4, n.º 3, septiembre, Universidad de León (España), pp. 102-115.

3. ROSA, Vítor & STOLEROFF, Alan (2009), «Motivações e entendimentos dos karatecas portugueses: Samurais na modernidade? / Motivations and understandings of Portuguese karatecas: Samurais in modernity?», in Abel Figueiredo (eds.), 2009 Scientific Congress in Martial Arts and Combat Sports - Proceedings, 16 e 17 de Maio de 2009, Associação para o Desenvolvimento e Investigação de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Educação de Viseu.

4. ROSA, Vítor (2009), «Reasons for the karate practice in Portugal / Powody uprawiania karate w Portugalii», in Wojciech J. Cynarski (eds.), Idó – Ruch dla Kultury / Movement for Culture (IRK-MC), vol. 9, n.º 1, University of Rzeszów (Poland), pp. 162-169.

5. ROSA, Vítor (2008), «Reasons for the karate practice in Portugal: synthesis of an inquiry», in Wojciech J. Cynarski, (eds.) (2008), Proceedings of the 2nd International Scientific Conference of Experts – Researchers on Martial Arts and Humanists: Martial arts, Combat Sports, Humanism (budô, kakugi, jindô), 25th-26th, Krosno and Targowiska (Poland), Rzeszów, Rzeszów University Press.

6. ROSA, Vítor & STOLEROFF, Alan (2008), «Samurais na modernidade europeia: motivações e entendimentos dos karatecas portugueses», in Actas do VI Congresso Português de Sociologia, 25 a 28 de Junho, FCSH, Universidade Nova, Lisboa.

7. ROSA, Vítor (2008), «Las artes marciales y los deportes de combate en números: una mirada exploratoria sobre los datos numéricos o estadísticos en Portugal», in Revista de Artes Marciales Asiáticas, vol. 3, n.º 2, junio, Universidad de León (España), pp. 38-49.

8. ROSA, Vítor (2008), «Motivações e entendimentos dos praticantes dos desportos de combate dual: um olhar exploratório», I Congresso Científico Europeu de Judo: Aprendizagem e Rendimento, Lisboa, Universidade Lusófona, 10 de Abril (CD-ROM).

9. ROSA, Vítor (2007), «Encuadramiento Legal e Institucional de Las Artes Marciales y Deportes de Combate en Portugal», in Revista de Artes Marciales Asiáticas, vol. 2, n.º 4, diciembre, Universidad de León (España), pp. 8-31.

10. ROSA, Vítor (2007), «Estudo Sociológico sobre o Karaté em Portugal», in Actas das VIII Jornadas do Departamento de Sociologia e Centro de Investigação em Sociologia e Antropologia “Augusto da Silva”, sob o título “Questões Sociais Contemporâneas”, Universidade de Évora, pp. 239-252.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTES MARCIAIS

«De 20 a 21 de Novembro - XIII EDIÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTES MARCIAIS DA ASSOCIAÇÃO DE AMIZADE PORTUGAL-JAPÃOUm Estágio de Artes Marciais que decorrerá de 20 a 22 de Novembro no espaço Arena d'Évora, onde cada um dos Mestres das associações convidadas terá oportunidade de orientar aulas de forma a partilhar os seus conhecimentos com os restantes participantes; na mesma sala decorrerão em simultâneo, aulas das 4 disciplinas do Budo, que eram praticadas por Mestre Tetsuji Murakami - Iaido, Kendo, Aikido e Karate-do - que foi o introdutor do Karate-do e de várias dessas disciplinas em muitos países da Europa; a maior parte dos Mestres que orientarão essas aulas foram discípulos directos de Mestre Murakami, sendo que alguns deles, que já confirmaram a sua presença, foram pioneiros de algumas dessas disciplinas nos respectivos países; Um Festival Internacional de Artes Marciais que decorrerá igualmente no espaço Arena d'Évora na tarde do dia 21 de Novembro com início às 15h onde serão demonstradas, para além das disciplinas que os Mestres convidados orientam, outras disciplinas do Budo - Kyudo, Judo, Batto-jutsu, etc. - e, ainda, demonstrações de Artes Marciais tipicamente portuguesas, como o "Jogo do Pau"; este Festival contará com a presença do Sr. Embaixador do Japão em Portugal, bem como de outras personalidades ligadas a entidades oficiais japonesas e portuguesas; Ainda no mesmo dia e local - Palácio D. Manuel - poderá assistir-se: ao longo de toda a tarde a partir das 14h, a demonstrações e workshops de artes nipónicas como o Ikebana (arranjos florais), Origami (dobragens de papel), sumi-e (caligrafia), etc. pelas 18h poderá assistir-se ao lançamento de um livro intitulado "A Génese do Karate em Portugal - 1963 / 1969", composto por artigos escritos pelos pioneiros do Karate no nosso país; logo seguido por uma Conferência intitulada "O Budo em Portugal - Passado e Presente de um relacionamento intercultural Portugal - Japão".» (por CAO).

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

The Impact of Continuing Education on the Professional Development of the Diagnosis and Therapy Technicians

The Impact of Continuing Education on the Professional Development of the Diagnosis and Therapy Technicians

Author(s):Eduardo Figueira (submitting), Isabel Paes de Faria (presenting), Vitor Rosa, Antonio Fragoso

Conference:ECER 2009
Network:2. Vocational Education and Training (VETNET)

Format:Paper

Session Information

02 SES 08 C, Systemising Qualifications, boundary crossing and pedagogical competence development of teaching students
Paper Session
Time:2009-09-3008:30-10:00
Room:HG, HS 26
Chair:Pekka Ilmari Kamarainen

Contribution
The Impact of Continuing Education on the Professional Development of the Diagnosis and Therapy Technicians

The recent scientific and technological advances have led to increasing complexity of interventions in health, as well as profound changes in the respective organizations and professions. The Diagnosis and Therapy Technicians are part of this professional complexity. Training of the Diagnosis and Therapy professionals at the higher education level is very recent in Portugal. Initially, these professionals were a part of a larger group of technicians working in the field of the clinical analyzes and public health. For that reason, their training was not specifically directed to their functions and activities. So, their professional profile has evolved from an auxiliary technician profile to an autonomous profile specifically oriented to diagnosis and therapy health activities. Currently, the Diagnosis and Therapy professionals are trained in the Polytechnic Schools in a frame of a specifically training model. The need to be in line with the technological and scientific developments have been decisive for that evolution and for those professionals’ concern with their continuing updating in order to adequately and competently perform their role. So, the continuing education of those professionals should be promoted to meet the professional and personal training needs, and to improve effectiveness and efficiency of institutions, as well. In fact, the continuing qualification of the human resources constitutes a “sine qua non” condition to improve organizational effectiveness and this plays an essential role in the Development process of a Nation (Houtkoop & Kamp, 1998). Participation of the Diagnosis and Therapy Technicians in CVET offerings is an issue not yet studied in Portugal. For this reason, the present study intends to analyze factors influencing participation in continuing education of those health professionals. More specifically, the study aims to understand how factors associated to participation in CVET activities influence the Diagnosis and Therapy Technicians’ decision to participate in those learning activities in Portugal. Knowing and understanding the factors influencing participation in continuing qualification activities will give a relevant contribute not only to promote participation in continuing learning activities but also to devise effective CVET strategies to respond to the challenges brought by technological innovation in the field of diagnosis and therapy. The study will be theoretically framed by the Interdisciplinary, Sequential-Specificity, Time-Allocation, Life-span (ISSTAL) model of social participation (Smith & Macaulay, 1980) and already tested in USA by Cookson (1986) and in Alentejo and other EU regions by Brown & others (2005) for studying adult participation in learning activities.

Method
The study will use a cross-sectional survey complemented by a focus group strategy to discuss survey results by continuing training specialists and diagnosis and therapy technicians to further understanding nature of the participation factors. The cross-sectional survey will use an instrument specifically developed to collect data from a random sample drawn from a population constituted by the Diagnosis and Therapy Technicians working in health organizations located in the Lisbon Region. Data from survey will firstly submitted to factorial analysis to identify class dimensions of factors influencing individuals´ participation in training and other learning activities. Relationships between the different factors and participation will be estimated by multiple regression analyses. Data from Focus Group will be analysed by content analysis.

Expected Outcomes
According to results from previous studies, it will be expected that the ISSTAL model will be useful for explaining and understanding participation of Diagnosis and Therapy Technicians in continuing training activities. It is also expected that the study will give an important contribute for promoting equal access of all Diagnosis and Therapy Technicians to CVET activities as a relevant pathway for a sustainable development of the diagnosis and therapy activities in the Portuguese society.

References
Brown, A. (ed.) (1997). Promoting Vocational Education and Training: European Perspectives, (EUROPROF). University of Tampere, Tampere, Finland. Brown, A. (ed.) (2005). Learning while working in small companies: comparative analysis of experiences drawn from England, Germany, Greece, Italy, Portugal and Spain, SKOPE Monograph No 7., ESRC funded Centre on Skills, Knowledge and Organisational Performance, Oxford and Warwick Universities. Cookson, Peter S. (1986). “A framework for theory and research on adult education participation”, Adult Education Quarterly, (36), 3, 130-141. European Commission (1995). Teaching and Learning: Towards a Knowledge based Society, European Commission, Brussels. Figueira, E. (1996). “A Participação dos Adultos Activos na Formação Profissional Contínua”, in Educação de Adultos em Portugal. Situação e Perspectivas. Coimbra: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Figueira, E. (1998). “Participation of SMEs’ employees in continuing training”, in Vocational and Adult Education in Europe, Wieringen, F. and Attwell, G. (eds). Dordrecht: Kluwer Academic Publishers. Figueira, E. et al. (2004). “Participação na formação contínua: uma necessidade para uma empregabilidade sustentável na Região do Alentejo”, Actas do V Congresso Português de Sociologia, sob o título “Sociedades Contemporâneas: Reflexividade e Acção”, 39-43. Figueira, E. e Rainha, Liliana (2004) (coord.). Qualificação e Género: O papel das competências-chave. Évora, IEFP. Houtkoop, W. & M. Van der Kamp (1992). “Factors influencing participation in continuing education”. International Journal of Educational Research, 17, 6, 537-547. Smith, D. H. (1980). “General activity model”, in Participation in Social and Political Activities, D. H. Smith, J. Macanlay, and Associates (eds.). 461-530. S. Francisco: Jossey Bass. Yang, B., Blunt, A., Butler, R. (1994). “Prediction of participation in continuing professional education: A test of two behavioral intention models”, Adult Education Quarterly, (44), 2, 83-96.
Author Information
Eduardo Figueira (submitting)
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Évora, Portugal
Isabel Paes de Faria
ESTeSL - Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa
Lisboa, Portugal
Vitor Rosa
Universidade de Évora, Portugal
Antonio Fragoso
Universidade do Algarve, Portugal

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Focus Group

Focus Group: FORMAÇÃO & COMPETITIVIDADE

ÉVORA, 09 NOVEMBRO 2009,
Universidade de Évora, Colégio P. Fonseca

A Universidade de Évora vai realizar um Focus Group Formação & Competitividade, a ter lugar em Évora, no Colégio Pedro Fonseca (PITE - Parque Industrial e Tecnológico, Rua da Barba Rala), no dia 9 de Novembro de 2009, pelas 14h00.

Este encontro tem como principal objectivo dar a conhecer o projecto, a parceria, bem como os resultados preliminares da administração de um questionário aplicado a nível nacional, em diferentes sectores de actividade, procurando saber as razões que levam (ou não) os trabalhadores técnicos a participar em acções de formação (inicial ou contínua).

Praia



Três irmãos divertem-se na areia da praia.

Procura-se o paradeiro...


Procuram-se estas pessoas. Se alguém se reconhecer na foto, é só dizer. A fotografia foi tirada em Moçambique, na cidade da Beira.

Retrato de uma vida...


Saudades


Que saudades do Parque Gorongosa....

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ICERI 2009, Madrid

Já foi submetido o full paper para a ICERI 2009, Madrid (16 -18 de Novembro).

Deixo aqui o abstract.

TECHNICAL WORKER’S PARTICIPATION IN THE CVET AND COMPANY COMPETITIVENESS

The present study intends to understand how factors influence employed adults’ decision to participate in learning activities in two sectors of the five regions (NUT II) of the Portuguese continental territory. The factors associated to individuals’ participation in Continuing Vocational Education and Training (CVET) constitute an important issue to be studied given the need to understand why adults participate in CVET activities. This is important because continuing professional qualification of workers is assumed to be essential to improve workers’ employability and productivity in companies. In fact, the level of productivity of business depends on effective use of new technologies which is only possible with human resources continuously qualified. For this reason, results will allow us to elaborate recommendations for designing and implementing policies for CVET activities. The present research will be using a methodological approach framed by the ISSTAL (Interdisciplinary, Sequential-Specificity, Time-Allocation, Life-Span) model of social participation (Smith, 1980), already adapted and tested in USA by Cookson (1986) and in Alentejo and other EU regions by Figueira & others (2008) for studying adult participation in learning activities. The study will use a cross-sectional survey complemented by a focus group strategy to discuss survey results by continuing training specialists and practitioners and by a set of case studies to further understanding nature of the participation factors. The cross-sectional survey will use an instrument specifically developed to collect data from a two-stage stratified random sample drawn from a population constituted by technical working people of the two main sectors in the above Portuguese continental regions. According to results from previous studies, it will be expected that the ISSTAL model will be useful for explaining and understanding participation of adults in continuing training activities concerning the sectors of activity under analysis. The study will give an important contribution for promoting equal access to CVET for all workers, as a relevant pathway for a sustainable development of the Portuguese society.
Keywords - Participation, competitiveness, continuing education and training, SME’s

IDO - Ruch dla Kultury / Movement for Culture



Saiu mais um número da revista IDO - Ruch dla Kultury / Movement for Culture, promovida pela Universidade de Rzeszów (Polónia). Nas páginas 162-169, encontram um artigo meu: "Powody uprawiana karate w Portugalii". Para os que não percebem polaco, fica o título em inglês: "Reasons for the karate practice in Portugal".

Já está quase pronto o meu próximo artigo para a edição de 2011.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Sociologia em destaque

http://www.turisver.com/article.php?id=44272
«Sociólogos europeus geraram mais de nove mil noites de hotel em Lisboa
A 9º Conferência da ESA – Associação Europeia de Sociologia, que decorreu entre 2 e 5 de Setembro, trouxe mais de 2200 participantes estrangeiros a Lisboa e gerou mais de nove mil noites de hotel e 5,6 milhões de euros em receitas. Organizada pela Leading (grupo Ambity), a conferência da ESA envolveu 2590 participantes (340 portugueses), de 53 países. Estes não só ocuparam, ao longo de três dias, 70 salas do ISCTE e da Aula Magna para 580 sessões científicas. Mas também cerca de 2300 quartos de hotel de 3, 4, e 5 estrelas, num total de aproximadamente 9200 noites. A Leading situa em cerca de 5,6 milhões de euros a receita gerada por este congresso para Lisboa, com impacto directo nos serviços de hotelaria, restauração, e transporte. Recentemente, a mesma empresa organizou ainda outros congressos internacionais, como o Congresso Europeu de Energia Solar, a Conferência Europeia de Saúde Pública, e o Encontro Europeu de Inovação Social. N.A. »

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Barack Obama

O Presidente falou aos alunos da América. Eis o seu discurso:

«Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.
Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.
A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."
Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.
Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.
No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.
E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.
Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.
Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.
No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.
E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.
Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.
Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.
Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.
Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.
Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.
Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.
A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.
E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.
Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.
E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.
A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.
É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.
Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.
No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."
Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.
Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.
Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.
E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.
A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.
É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.
Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?
As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.»

Full Paper - ESREA

The relationship between the participation of technical workers in small and medium enterprises in Continuing Vocational Education and Training and company competitiveness: the case of Portugal

Eduardo Figueira (CISA-AS), University of Évora, Portugal
Timothy Koehnen (CETRAD), University of Trás-os-Montes and Alto Douro, Portugal
Vítor Rosa (CISA-AS), University of Évora, Portugal
Ana Cordeiro (CETRAD), University of Trás-os-Montes and Alto Douro, Portugal
Mónica Aldeia, (CISA-AS), University of Évora, Portugal
António Fragoso, (CIEO), University of Algarve, Portugal
Rogério Roque Amaro, (CIES), Superior Institute for the Sciences of Work and Business, Portugal
Abstract
The present paper aims to present a study to identify and understand the factors that influence participation of technical workers in CVET activities. Understanding participation in CVET is important to implement policies for improving continuing qualification of workers which is essential for increasing individuals’ productivity and, consequently, promoting local development.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sida: Hitler dá a cara pelo seu combate


Campanha de prevenção na Alemanha gera forte polémica pelo recurso à imagem de Hitler.

Haverá limites na publicidade?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dia Internacional da Alfabetização

Por ser um assunto actual, coloco aqui um texto do Professor Doutor Vítor Manuel Trindade, da Universidade de Évora, sobre o Dia Internacional da Alfabetização.

«Comemora-se no dia 8 de Setembro mais um Dia Internacional da Alfabetização, no intuito de chamar a atenção de todos nós para o drama daqueles - muitos são - que não possuem a ferramenta fundamental para o exercício pleno dos seus direitos, enquanto seres humanos. Na verdade, apesar dos esforços dos diferentes organismos internacionais, o analfabetismo continua a ser um flagelo dos nossos dias, afectando cerca de 30% da população do nosso planeta. / Instalados nas comodidades da civilização ocidental, temos tendência a esquecer aqueles a quem é negada a igualdade de oportunidades para construir esse mesmo conforto a que, não poucas vezes, valorizamos menos. Educados sob o signo da Economia, mesmo aqueles que entre nós possuem um analfabetismo funcional, preocupam-se, natural e compreensivelmente, mais em "ganhar a vida" do que em resolver o seu problema de acesso à informação que lhe permita melhorar, se possível, a sua qualidade de vida. / Em Portugal, constatamos, com preocupação e alguma mágoa, que apesar das boas vontades declaradas, a nível político, as medidas implementadas na vida real são escassas para as necessidades existentes, sem que tal levante pressões das comunidades para que o panorama se modifique para melhor. Se hoje estamos, felizmente, muito longe do cenário existente em 1974 - em que o índice de analfabetismo da população portuguesa rondava os 34% - a verdade é que a estimativa de 15% não nos deixa confortáveis. Tanto mais que teremos de pensar na acção do tempo sobre este fenómeno. Não existem estudos que nos permitam conhecer a verdadeira influência desta variável, mas certamente que pela inexorável lei da Vida, os analfabetos mais velhos daquele tempo, hoje já não o são, apenas porque deixaram de existir. Junte-se a esta tétrica realidade, as consequências do fenómeno do insucesso escolar, nas suas diversas vertentes - reprovações, desistências, abandono, etc. - e começa ser muito preocupante a falta de alfabetização dos mais jovens. A prova disto mesmo, temo-la todos os dias diante dos olhos. Basta estar atento ao que se passa nos locais onde se faz atendimento público: repartições, escolas, sistemas de transportes, comércio,...; São frequentes os casos dos jovens que nem sequer sabem identificar a informação necessária aos propósitos que os animam e que justificam a sua ida àqueles locais. Muitas vezes, nem conseguem consultar um horário de comboio! / Numa altura em que tanto se insiste na qualificação dos portugueses, parece-nos que todos - incluindo a Universidade - não seremos demais na luta contra este drama que afecta a nossa vida colectiva» (texto da autoria de Professor Doutor Vítor Manuel Trindade, Departamento de Pedagogia e Educação, da Universidade de Évora, publicado em 07/09/2007, http://www.ueline.uevora.pt/newsDetail.asp?channelId=7660D4C3-A594-41AC-B3CD-073A1B8BB9A3&contentId=BD2C67EE-1602-4EB6-A27C-5955B2F605F2».

Associação Tauromáquica Redondense


Hoje, quando tratava do meu seguro de saúde, recebi a notícia de que um primo meu (José António Rilhas) ajudou a criar uma associação: Associação Tauromáquica Redondense. Esta associação tem como objectivos explorar a Praça de Toiros Simão da Veiga Júnior (actual Coliseu do Redondo), centrando a vila de Redondo no panorama tauromáquico nacional; promover eventos relacionados com o cavalo Lusitano; sensibilizar os mais jovens para estas actividades; promover colóquios, abordando a problemática das touradas, integrando vozes a favor e contra, etc.
Existem muitas associações semelhantes. O carácter inovador desta, segundo os fundadores, é o de não ter fins lucrativos.
Confesso que não gosto de ver Corrida de Touros. Nesta matéria, assumo uma voz neutra ou, às vezes, contra, mas não nego que é um espectáculo arraigado na cultura portuguesa (e não só).
Por ser uma pessoa da minha família, de quem gosto muito, espero que consiga desenvolver um bom trabalho nesta associação e em prol do desenvolvimento da vila de Redondo, terra Natal da minha mãe.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Revista de Artes Marciales Asiáticas



Ya a la venta el nº 3 de 2009!!
Consulte AQUÍ el índice de todos los números de la Revista de Artes Marciales Asiáticas


El judo llega a California: Judo vs. Lucha en el oeste de los Estados Unidos, 1900-1920, por Matt Hlinak.
¿Fue Jesús un artista marcial?, por Richard E. Overill.
Artículo original de la edición española: La maza y el hacha en la tradición marcial iraní, por Manouchehr Moshtagh Khorasani.
Artículo original de la edición española: La iniciación a los deportes de combate: interpretación de la estructura del fenómeno lúdico luctatorio, por Bruno Avelar & Abel Figueiredo.
Manadas & lobos solitarios: entrevista con Ellis Amdur sobre las tradiciones marciales japonesas, por Peter Hobart.
Desarrollo del reflejo táctil a través de las “manos pegajosas” del wing tsun, por Jeff Webb.
Una táctica marcial universal: la proyección de hombro y sus variantes, por Allen Pittman.
Artículo original de la edición española: Informe sobre el II Congresso Científico de Artes Marciais e Desportos de Combate, por Vítor Rosa.

domingo, 6 de setembro de 2009

Dia Internacional da Alfabetização

A 8 de Setembro comemora-se o Dia Internacional da Alfabetização. Este dia serve para relembrar o elevado número de pessoas que por todo o Mundo não sabe escrever. De acordo com os dados da UNESCO, estima-se que haja no Mundo 781 milhões de adultos que são analfabetos. O sexo feminino é o mais afectado. O analfabetismo limita a pessoa na sua comunicação com o Mundo, como também na compreensão de tudo o que ocorre à sua volta. Perante um panorama tão preocupante, para o qual contribuem maioritariamente países subdesenvolvidos, os esforços de organização não governamentais na área da Educação são fundamentais.

Dia Europeu Sem Carros


De 16 a 22 de Setembro é comemorada a 8.ª edição da Semana Europeia da Mobilidade 2009. Nesta data proíbe-se o trânsito de veículos e motos nos locais estipulados pelas autarquias aderentes à iniciativa. Não poderia estar mais de acordo com a iniciativa, até porque as questões ambientais me preocupam, mas acho que esta medida continua a sensibilizar muito pouco os cidadãos.
Da minha parte, "encosto" o carro, mas não "encosto" a minha aquisição de Verão: uma SYM 50cc.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Assaltante foge de bicicleta

De faca na mão, um homem assaltou os CTT, em Évora. Aproveitando as "boas ciclovias" de Évora, o larápio escolheu a bicicleta como meio de fuga.

«Putin vai cavalgar em tronco nu no Congresso Nacional do PSD


«Vladimir Putin impressionou o mundo e os campinos gays ao deixar-se fotografar na Sibéria em cima de um cavalo em tronco nu (Putin, não o cavalo). Habituado a fazer passar imagens másculas deste calibre, o primeiro-ministro russo prepara-se agora para montar em semi-pelota num ambiente ainda mais hostil e selvagem: um Congresso Nacional do PSD. A embaixada russa já tratou da parte burocrática e Putin deverá entrar a galope ao som de "Cavalo russo" quando Passos Coelho estiver a mandar vir qualquer coisa», in OInimigo Público, 14 de Agosto de 2009, p. 3


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Já "cheira a Touro"...

O presidente da Câmara Municipal de Barrancos já garantiu que já está quase tudo preparado para acolher os visitantes na Festa de Touros de Barrancos. O ex-Ministro, Manuel Pinho, dá a cara no cartaz. Só falta escolher o melhor ângulo. E, assim, não só de bandarilha espetada se faz a tourada.



E que mulher...

Não resisto a colocar aqui a imagem preparada por JEP, em http://evoracafeportugal.blogspot.com/2009/08/malabarismos-numeros-de-circo.html

terça-feira, 11 de agosto de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E esta...

José Gil, um dos filósofos mais conceituados no nosso País, no seu mais recente livro, "Em Busca da Identidade: O Desnorte", da editora Relógio d'Água (2009), não poderia ser mais duro nas críticas que faz ao actual Governo de Sócrates, em particular com a sua Ministra da Educação. Vejamos o que diz, a dado passo, sobre o "chico-espertismo" português: «No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes» (Gil, 2009: 56).

Recomendo vivamente a leitura deste livro, pois faz um retrato muito interessante da nossa identidade ou do "desnorte", como refere o autor.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Barragem do Alqueva, Turismo e Desenvolvimento Local

A BARRAGEM DE ALQUEVA COMO FACTOR DE DESENVOLVIMENTO LOCAL: ESTUDO DE CASO SOBRE O SEU IMPACTO NA INDÚSTRIA TURÍSTICA DA FREGUESIA DE MONSARAZ

Eis o título de uma monografia da autoria de Ana Margarida Pimenta, discente do curso de Sociologia, da Universidade de Évora. A pergunta de partida da investigadora foi a seguinte: a Barragem de Alqueva tem potencial para promover o desenvolvimento local através da dinamização da indústria turística na freguesia de Monsaraz? Embora com as devidas cautelas, pois é um estudo exploratório, a autora conclui:

1)existe uma tendência para a falta de jovens empreendedores no sector do turismo em Monsaraz;
2) os níveis de escolaridade por parte dos empresários são muito baixos;
3) os empresários acumulam a gestão da sua actividade turística com o exercício de outras actividades profissionais em áreas de actividade distintas do turismo.
4) quanto às empresas estudadas na freguesia de Monsaraz, conclui-se
que apresentam características comuns a outras empresas situadas em meios rurais da região Alentejo: são micro-empresas; são empresas familiares; empregam maioritariamente mulheres; o volume de facturação anual ronda os 80 mil euros.

Para além destas conclusões, outras há, mas deixo ao critério do leitor a exploração deste estudo.

Os meus parabéns à Ana Margarida pelo trabalho.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Colóquio de Homenagem a Vítor Trindade

Colóquio de Homenagem a Vítor Trindade
Sobre o tema Ensino, Qualidade e Formação de Professores, realiza-se o Colóquio de Homenagem a Vítor Manuel Trindade, Professor Catedrático do Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora. 22 de Junho, às 10 horas, no Auditório da Universidade de Évora (Colégio do Espírito Santo).
Mais informações em www.dpe.uevora.pt/coloquio.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

CONCLUSÕES DO II CONGRESSO CIENTÍFICO DE ARTES MARCIAIS E DESPORTOS DE COMBATE

Resumo:
Enquanto fenómeno social de grande importância nas sociedades contemporâneas, as artes marciais e os desportos de combate possuem um grande valor educativo e formativo quando devidamente orientadas(os) e enquadradas(os), e contribuem para a saúde e bem-estar dos praticantes, enquanto factor inerente à melhoria da sua qualidade de vida. Volvidos dois anos da primeira iniciativa do género, promoveu-se a realização do II Congresso Científico de Artes Marciais e Desportos de Combate (CCAMDC), 16 e 17 de Maio de 2009, no Instituto Politécnico de Viseu (IPV). Face ao elevado número de comunicações e posters apresentados, bem como dos debates que se registaram na maioria das sessões do evento, não é fácil resumir este Congresso em poucas linhas, sobretudo quando as opiniões foram plurais e contrastadas. Assumindo esta tarefa com humildade, aqui fica registado uma resenha do que foi o II CCAMDC (www.adiv.pt/ccamdc/) e as suas principais conclusões.


II CCAMDC – Uma perspectiva global:

A Aula Magna do Instituto Politécnico de Viseu (IPV) recebeu, dias 16 e 17 de Maio de 2009, o II Congresso Científico de Artes Marciais e Desportos de Combate (CCAMDC). A organização do evento esteve a cargo da Área Científica de Educação Física e Desporto da Escola Superior de Educação de Viseu. Contou ainda com o fundamental patrocínio da autarquia e o suporte organizativo do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), da Associação para o Desenvolvimento e Investigação de Viseu (ADIV), da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e de outras entidades.
Quem conhece o Prof. Doutor Abel Figueiredo (enquanto o principal rosto da iniciativa) não ficou admirado de o ver a usar a liberdade e a irreverência de realizar uma segunda iniciativa, com elevado padrão de qualidade.
Estiveram presentes no evento cerca de 150 participantes, dos quais 34 conferencistas, provenientes de 12 países: Portugal, Espanha, Bélgica, Reino Unido, França, Itália, Brasil, República Checa, Polónia, Sérvia, Filipinas, EUA.
Os objectivos gerais do Congresso foram os seguintes: i) reunir investigadores e especialistas para debater o objecto de estudo dos contextos das “artes marciais”, “desportos de combate” ou “defesa pessoal”: a motricidade humana de combate; ii) reflectir sobre os resultados das investigações (nacionais e estrangeiras) em curso; iii) divulgar projectos no âmbito das áreas em causa; iv) sensibilizar para a necessidade de diferentes abordagens científicas.
A Sessão de Abertura contou com as presenças do(a) Prof. Eng.º Fernando Sebastião, Presidente do IPV, Prof.ª Paula Cardoso, responsável por um dos Centros de Investigação do IPV, Prof. Paulo Balula, da Escola Superior de Educação do IPV, Dr. José Guilherme, Vereador da Câmara Municipal de Viseu.
Há três ordens de razões – no nosso entendimento – que explicam o sucesso desta segunda edição do CCAMDC. A primeira razão prende-se com os temas em debate. A questão central incidiu na interpretação, explicação e compreensão da motricidade de combate humano institucionalizado aos níveis contextuais das Artes Marciais (AM), Desportos de Combate (DC) e Defesa Pessoal (DP), sob domínios de objectivos actualmente vinculados ao desenvolvimento educativo do Homem (educação, treino, saúde e bem-estar). Não foi esquecido a motricidade marcial vinculada ao combate (des)institucionalizado, interpretando problemáticas como o bullying entre outras atitudes e comportamentos intencionais agressivos. A segunda ordem de razões tem a ver com o facto de termos contado com a presença ou intervenção de um leque de investigadores e professores (nacionais e internacionais) de reconhecido nome. A investigação em artes marciais e desportos de combate tem cada vez maior relevância científica e, tal como aconteceu na primeira edição em 2007, os investigadores, professores e estudantes ao nível das licenciaturas, mestrados e doutoramentos, com estudos em artes marciais e desportos de combate, demonstraram estar prontos a apresentar parte das suas investigações, partilhando com todos os praticantes, treinadores e restantes interessados, a riqueza das suas experiências, de forma a robustecer uma comunidade científica que, cada vez mais, se afirma como um espaço importante na construção social do desporto e da educação na Europa e no Mundo, com elogio da sua característica multicultural Oriente/Ocidente. Finalmente, a outra razão, pela procura da sensibilização dos cidadãos em geral sobre estas práticas desportivas. A elevada participação no Congresso foi uma demonstração inequívoca que contamos com um grupo profissional activo, participativo e que não se acomoda.
Vejamos, um pouco em detalhe, cada uma das intervenções:
Prof. Abel Figueiredo, do IPV (Portugal), apresentou duas comunicações “The muldimensions of martial arts and combat sports interpretation” e “Portuguese contacts with Okinawan (Lequeos) during XVI Century”. Como o nome indica, o seu primeiro paper centrou-se na análise das multidimensões e interpretação da motricidade destas modalidades e a sua tripla estrutura (bio-psico-social). A Sociologia, a Filosofia e outras ciências contribuem para os estudos da Ciência do Desporto. Na segunda comunicação, o autor analisou os contactos entre os asiáticos e os europeus, nomeadamente com a chegada dos portugueses em 1501. Para reforçar as suas explicações, apresentou um conjunto de mapas dos séculos XVI e XVII.
Prof. Alan Stoleroff e Mestre Vítor Rosa, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – ISCTE (Portugal), apresentaram as “Motivações e entendimentos dos karatecas portugueses: Samurais na modernidade?”. O principal objectivo desta comunicação foi o de apresentar uma análise das motivações para a prática do karaté. Existindo tantos desportos, por que é que se pratica karaté? Será por motivos associados com a manutenção corporal e saúde ou motivos desportivos lúdicos ou de competição? Estas e outras questões foram levantadas pelos autores, procurando dar algumas respostas.
Prof. Roman Kalina, Universidade de Rzeszów (Polónia), apresentou “Scientist Index Copernicus as a aweb-based communication plataform for effective collaboration and promotion of universal and utilitarian values of martial arts”. O Index Copernicus é um sistema de avaliação multi-paramétrico de revistas científicas, cuja ideia nasceu na Polónia em 1998. Por outro lado, o autor apresentou o periódico Archives of Budo, procurando publicar e divulgar artigos científicos de grande qualidade. Lançou o desafio para os participantes do Congresso publicarem os seus textos neste Jornal Científico.
Prof. Fernando Torres Baena, da Universidade de Las Palmas (Espanha), apresentou a comunicação com o título “Research, Development & Innovation Departament of Spanish Karate Federation”. Baena apresentou o site www.karateinvestiga.com, com o objectivo de fomentar projectos científicos em torno das artes marciais e desportos de combate. A criação de um Departamento específico na R.F.E.K. se justifica en la necesidad de: Coordinar las inquietudes de investigación del colectivo de Karate; Crear un lugar donde la documentación científica sobre Karate esté ordenada y clasificada; Organizar, estimular y establecer las distintas corrientes de investigación sobre Karate; Crear un sistema fácil de comunicación a través de la red que integre a todos. Debemos fomentar la investigación, el estudio y la inquietud por el conocimiento; Coordinar, colaborar con otras I+D+I de otras Federaciones de Karate a nivel nacional o internacional; Aprovechar las distintas convocatorias públicas sobre investigación desarrollo e innovación de los distintos entes públicos nacionales e internacionales. Na sua segunda comunicação, “Karate Coach Education: Pragrama de Tecnificación de Karate (PTK) de la Federación Canaria de Karate”, o autor sublinha o trabalho que a Federação Canaria de Karate tem vindo a desenvolver na prática do karaté e dos bons resultados que os praticantes têm vindo a obter nos vários campeonatos em que participam.
Prof. Michal Vit, da Masaryk University (República Checa), apresentou “Combatives evolution in the Czech Republic and inclusion of combatives into physical education”. Vit, tendo em consideração os paleo-antropólogos, nomeadamente Leakey (1996), referiu que os combates sempre estiveram ligados à Humanidade e que as técnicas e as tácticas dos Homens surgiram da actividade de caça.
Prof. Armando Inocentes, Director do Departamento de Formação da Federação Nacional de Karaté - Portugal (FNK-P) (Portugal) abrilhantou o Congresso com a comunicação “Repensar a sistemática do karaté”. Segundo o autor, enquanto na maioria das modalidades o praticante domina um objecto, nos desportos de combate o dominar o adversário é o fim último. O objecto é, neste caso, um ser que age e reage, um ser que pensa e que sente. Nos desportos de combate não há um elemento dinâmico (ser humano) e um elemento físico (objecto), pois existem dois elementos dinâmicos, autónomos, criativos, dispondo de uma motricidade intencional, que se opõem e confrontam até se designar um superior ao outro segundo certos parâmetros. Baseado nos trabalhos de Yonnet (2004), mais polémica é a questão lançada de que “não podemos pois classificar o Karaté “civil” actual, federativo, como uma “arte marcial” nem como um “desporto de combate”, pois “é o uso do utensílio que faz a classificação da actividade, não o utensílio por si próprio”.
Prof. Ana Rosa Jaqueira, da Universidade de Coimbra (Portugal), apresentou a comunicação com o título “Capoeira: configurações e dinâmicas contemporâneas”. Esta comunicação procurou evidenciar o estado da arte da Capoeira no que diz respeito à sua configuração de grupo, considerando-se as suas formas estilísticas denominadas Capoeira Angola, Capoeira Regional e sub-práticas, nos espaços brasileiro e europeu, e a sua confirmação social intra e inter-grupos. A autora considera também os aspectos técnicos expressos nas últimas décadas do século XX, de forma extremamente padronizada e conforme os clichés de cada grupo, em particular por imposição do mestre responsável. No que toca os seus avanços territoriais, observa a evidência de uma forte organização extra-oficial, que, de forma paralela e indiferente às orientações ditadas do poder do central do grupo instituído e dos organismos oficiais da Capoeira, se vem consolidando sob a bandeira da expansão da cultura brasileira. Quanto à configuração de grupo, constata residir nas suas distintas formas expressivas uma pretensa filosofia da Capoeira, que às vezes se traduz mais em aspectos económicos e favoráveis aos seus mentores, donos do grupo principal, denominado “matriz”, e do nome (marca e franquia) de todos os seus subgrupos, identificados por filiais. Entende-se que o fio condutor desta configuração e dinâmica dos grupos de Capoeira, quer no Brasil, quer no estrangeiro, é a capacidade de aliciamento e liderança em tom doutrinário dos seus expoentes e a incapacidade crítica dos seus “seguidores” quanto aos aspectos técnicos, históricos e filosóficos da Capoeira, em parte devido ao próprio magnetismo que esta expressão exerce sobre as pessoas, dados os seus aspectos sui generis de ludicidade, musicalidade e ritmicidade.
Prof. Wojciech Cynarski, da Universidade de Rzeszów (Polónia), apresentou duas comunicações: “A lifestyle of Martial Arts Teachers – Example from Poland” e “Social research of far-eastern martial arts in Poland”. A tese do autor é seguinte: a sociologia do desporto e a sociologia da educação física e recreação constitui uma sociologia física cultural. As influências socioculturais das artes marciais permitem a criação de uma sociologia das artes marciais. No entanto, recebe influências das pesquisas e das teses derivadas de outras sub-disciplinas sociológicas, tais como: antropologia cultural, sociologia da cultura, sociologia do espaço, sociologia das organizações, filosofia, psicossociologia. O autor apresentou também a revista científica Ido-Movement for Culture, da qual é o Director.
Prof.ª Tatjana Trivic, da Universidade da Novi Sad (Sérvia), trouxe uma comunicação sobre “National level judokas anaerobic capacity”. Trivic procurou mostrar os resultados dos testes realizados sobre a capacidade anaeróbica de 41 praticantes masculinos de judo. Durante o treino e a competição o corpo humano perde energia de acordo com as actividades e com a intensidade. Nesse sentido, torna-se necessário que os treinadores escolham métodos de treino de acordo com a categoria de peso e o estilo de luta de cada competidor. Os testes foram realizados no Laboratory for Functional diagnostics, Department for physiology, Medical Faculty in Novi Sad. Os testes cumpriram o protocolo de Wingate anaerobic test (WAnT).
Prof. Willy Pieter, da Universidade da Ásia e do Pacífico (Filipinas), trouxe a debate dois estudos de grande relevo: “Physical fitness of filipino varsity taekwondo and arnis athletes”; e “Performance profiling of young taekwondo athletes”, “Psychological injury risks in adolescent karate athletes”. Na primeira comunicação, salientou que a “Physical fitness is a key component for success in competitive sports across the full range of ability, including at the varsity level. Examples of studies to demonstrate this effect include Taaffe and Pieter (1990), who profiled elite American taekwondo athletes from a physiological perspective and found men to have a higher VO2 max than women. More recently, Toskovic et al. (2004) assessed the fitness characteristics of American recreational taekwondo participants and reported male athletes to score higher than their female counterparts in absolute explosive leg power in recreational taekwondo-in, and that collapsed over gender, experienced athletes performed better.” Na sua segunda comunicação, afirma que, apesar de muitas crianças e jovens praticarem taekwondo em todo o mundo, a pesquisa científica apenas começou recentemente. Grande parte das investigações realizadas sobre esta temática são na área do exercício físico. Por isso, se torna importante a realização de estudos noutras áreas.
Prof.ª Raquel Escobar Molina, da Universidade de Granada (Espanha), apresentou o trabalho “Methodology used by elite judoists to reduce body weight before a competition”. En las modalidades deportivas donde el peso determina la categoría donde se compite, como en el judo, los judocas utilizan métodos drásticos de reducción de peso, con el objetivo de competir en la categoría deseada. A lo largo de los años de entrenamiento y competición, se instauran hábitos alimentarios no saludables, que si bien permiten alcanzar el peso ideal, repercuten negativamente sobre el resultado deportivo y la salud del competidor. A autora conclui que Las mujeres, en las tres categorías analizadas, realizan un mayor control del peso corporal mediante dietas que los hombres, los cuales emplean más restricciones alimentarias que provocan fluctuaciones de peso superiores y posibles repercusiones negativas en lo que al rendimiento y salud se refiere. Por otro lado, en las categorías sub-23 y senior se observa un mayor interés por controlar el peso corporal mediante el seguimiento de dietas y de restricción alimentaria, con el consiguiente incremento en las fluctuaciones del peso.
“O padrão cinesiológico de um movimento de socar do karaté executado com duas estratégias de impacto diferentes” – foi este o estudo trazido pelo Prof. António Brito, do Instituto Politécnico de Santarém (Portugal). O estudo insere-se no âmbito da análise dos padrões cinésiologicos dos movimentos desportivos através da caracterização e comparação das componentes cinemáticas e neuromusculares da execução de um soco (choku-zuki) quando este é realizado por karatecas de elite com impacto (CI) e sem impacto (SI) numa makiwara. O autor e a sua equipa de trabalho concluem que a acção motora decorre num tempo médio inferior a 350 ms. O padrão sequencial cinemático não reflecte uma implementação motora de características próximo-distal, contudo a actividade mioeléctrica reflecte uma activação próximo-distal. Há diferenças significativas no comportamento cinemático entre as execuções CI e sem SI apesar da actividade mioeléctrica ser na generalidade semelhante entre as duas condições de execução do soco.
Prof. José Bragada, do Instituto Politécnico de Bragança (Portugal), apresentou a “Revitalização da galhofa – um projecto atractivo”. De entre uma grande variedade de características próprias da região transmontana, o jogo tradicional de luta corpo a corpo - Galhofa, era, e é, um fenómeno cultural e desportivo único no nosso país, que tem persistido ao longo de décadas, em algumas aldeias do concelho de Bragança, nomeadamente em Grijó de Parada, Parada, Freixedelo, Coelhoso, Paredes, e Carocedo. Esta forma de luta típica e exclusiva, praticamente em desaparecimento, tem-se mantido sem qualquer regulamentação ou sistematização ao longo do tempo. As regras e as técnicas passaram de geração em geração pela oralidade e pela prática. O problema da preservação deste jogo coloca-se agora, numa época de grande mudança no estilo de vida das populações rurais. Neste contexto, de uniformização da vida social e desportiva, algumas actividades, antigamente populares, tendem a desaparecer, empobrecendo a nossa cultura. A transformação da Galhofa numa actividade atractiva, saudável e fomentadora do desenvolvimento harmónico das capacidades físicas das crianças, jovens e adultos ainda é possível. A prática do Jogo Tradicional, o conhecimento das suas origens e do contexto em que era praticado, para além de uma homenagem aos nossos antepassados é uma obrigação de todos.
Prof. Paulo Martins, da Faculdade de Motricidade Humana (Portugal), deu destaque a “Learning engagement in wrestling”. É reconhecido que a actividade do treinador é, enquanto função, uma missão que exige um conhecimento profundo de todo o processo de preparação desportiva e portanto, os atletas constroem o seu próprio conhecimento da matéria, estruturando-a e interpretando-a à luz do conhecimento que já possuem e em função da apresentação do conteúdo (Vickers 1990; Rosado and Mesquita 2009). Se da interpretação dos exercícios resulta o desempenho dos atletas, significa que a apresentação deve conter informações que esclareçam o atleta sobre o significado e importância do que vai ser aprendido, e a explicação dos exercícios deve, de forma clara, ajudar o atleta a compreender a aplicabilidade do exercício em situação de jogo.
Prof. Brian Price, da Universidade do North Texas (EUA), apresentou a comunicação “Historical and modern pedagogies in european medieval martial arts”. Segundo o autor, “the resurrection of European historical martial arts within Europe, North America, and Australia has created a new branch of martial arts that remains in its infancy. But the interpretation and reconstruction of the tactical and technical aspects of these arts are difficult to distill. This paper will begin with an examination of the historical sources, then propose a process through which historical arts may be brought into the corpus of active martial arts, seeking to preserve the integrity of the historical record while molding reconstructed arts through modern approaches to motor learning and tactical modeling”.
Prof. Mikel Pérez, da Universidade de Léon (Espanha), fez uma comunicação sobre “Woman, risk and self-defence: about a women’s self-defence course”. O estudo recaiu sobre o perfil, os motivos, as experiências e as percepções de um grupo de mulheres que praticam cursos de auto-defesa em Zamora. As idades das praticantes variam entre os 13 e os 38 anos. The education profile of the sample was varied, including 50% university graduates. Two of the participants were studying official degrees, while the rest were workers. Eight of them were single. Only one woman had practised self-defence and four of them some martial arts. On the contrary, all of them had practised some sport or physical activity at least during six months along their life, and 50% of them kept active. With regard to the reasons for the attendance to the course, six participants alleged as their main aim learning to defend themselves. Curiosity was quoted in three cases, other less frequent reasons were self-improvement, feel safe, sport for pleasure, and getting a job. Finally, none of the surveyed women had suffered a physical assault. One of the participants stated that she had been involved in some situations with physical violence during the last three years. On the contrary, six of the surveyed women considered themselves as belonging to a “risk group” that could suffer some kind of aggression, three of them pointing out that anyone could be the target of such kind of attack, one of them cited her own weakness, and the last one mentioned the increasing violence in the society.
Prof. Andrew Lane, da Universidade de Wolverhampton (Reino Unido), “Sports psychology and combat sport: A case study on work in professional boxing”. Os seus estudos são dedicados ao boxe profissional durante o 2.º Campeonato do Mundo. O autor sublinha que existe uma lacuna entre a teoria e a prática nesta temática. E que “psychological data indicated improvements in key constructs of performance. Mood monitoring provided useful insight into the extent to which the boxer coped with training volume. Findings lend support for developing individualised intervention programmes”.
Prof. Jikkemien Vertonghen, da Universidade Vrije Brussel - Department of Sport Policy and Management (Bélgica), trouxe o estudo de doutoramento “Social-psychological outcomes of martial arts practice among children”. O autor foca as influências para a prática do judo, aikido e taiboxing nas crianças. Para isso, procura testar algumas das teorias de Pierre Bourdieu sobre a prática desportiva e sobre as classes sociais. A investigadora procura entrevistar 19 crianças entre os 8 e os 13 anos de idade, os seus pais ou encarregados de educação e os treinadores. A autora conclui que é preciso ter em conta a existência de diversos factores para determinar os motivos sociais e psicológicos para a prática destas 3 modalidades.
Prof. Marc Theeboom, da Universidade Vrije Brussel - Department of Sport Policy and Management (Bélgica), abordou as “Experiences of young Chinese wushu players”. O autor, de acordo com o estudo de Jiang & Huang (2005), estima que existam mais de 60 milhões de Chineses a praticar esta modalidade, que se divide em vários estilos, e que existem mais de 12.000 escolas de wushu. Mais recentemente, autores defendem que a prática de wushu melhora a moralidade dos jovens Chineses (Wang & Zhou, 2005), e que é uma forma de melhorar a qualidade da educação nas escolas primárias (Yang, 2001). O autor, em colaboração com outros investigadores, procura estudar os comportamentos de 150 crianças da cidade de Chengdu (China): 109 rapazes e 41 raparigas, com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos. Os primeiros resultados revelam que os motivos para a prática do wushu prendem-se com o bem estar físico e psicológico.
Prof. Pedro Valério, da Universidade de São Paulo (Brasil) apresentou “A phenomenoly of Capoeira: community, alterity and inner self”. Na perspectiva do autor, a prática da Capoeira envolve música, poesia, dança, luta, jogos, religião, tradição, história, marcadas pela oralidade. Conceitos como alteridade e fenomelogia são relacionados com esta prática, que tantos adeptos tem, nomeadamente no Brasil.
Prof. Paulo Coelho Araújo, da Universidade de Coimbra (Portugal), trouxe a Viseu o texto “A new theoretical approach to the name origin of the fight/game called Capoeira”. Araújo refere que existem várias teorias sobre a origem do nome "Capoeira", a luta/jogo brasileira. Uma nova interpretação decorre das muitas incoerências identificadas cientificamente, permitindo-nos identificar semelhanças entre o nome "Capoeira" dada à luta/jogo e aos chamados indivíduos capoeira (s), significado marginais ou vilões, muito perseguido na sociedade brasileira durante os períodos colonial, imperial e republicano. Com estes fundamentos, apresentamos uma nova teoria multifacetada para justificar esta atribuição nominal à luta/jogo nacional do Brasil.
Prof. Rebeca Coelho, da Universidade de Coimbra (Portugal), apresentou a comunicação “The social profile and the values of young athletes of taekwondo”. O estudo tem como objectivos conhecer o perfil social e os valores dos praticantes de taekwondo. A autora sublinha que o taekwondo contribui para o desenvolvimento de valores e características sociais.
Prof. Michael Hilpron, do Laboratório A.MA.P.P., UFR STAPS d’Orléans (França), preocupa-se com a temática “Eating builds up a motor culture: the making judo”. Com a instituição das categorias de peso em 1952 o desenvolvimento internacional do judo tem sido desenvolvido passo a passo, tornando os atletas melhor preparados técnica, física e psicologicamente. A classificação por categorias de pesos leva os praticantes a encetarem dietas, de forma a manter o peso apropriado. O autor, baseado na sua observação participante, procura estudar a secção de judo da Universidade Tenri do Japão.
Prof. Carlos Gutiérrez García, da Universidade de León, apresentou “The Japanese fighters are more skilful than their Chinese counterpats, or when the context is more important than the text”. Com este estudio propone una reflexión sobre el modo en que los factores contextuales (políticos, económicos, militares, sociales, culturales, etc.) han condicionado el conocimiento, percepción, introducción e implantación de las artes marciales asiáticas en Occidente. Particularmente, el estudio toma como ejemplo las primeras noticias sobre artes marciales chinas y japonesas aparecidas en diversas revistas ilustradas españolas a partir de 1899 y durante los primeros años del s. XX. El estudio realizado destaca la importancia del estudio de los factores contextuales en la comprensión de la evolución histórica de las artes marciales, así como sobre la percepción que a nivel social se tiene de las mismas. En el caso analizado, estos factores contextuales explican los motivos por los que las artes marciales japonesas fueron importadas a Occidente con anterioridad a las artes marciales chinas.
“Martial arts and modernity crisis in the age of information. Guidelines for research” – foi este o tema que o Prof. Sérgio Raimondo, da Universidade de Cassino (Itália), trouxe para apresentação no II CCAMDC. Como é que os indivíduos se definem como grupos, classes, comunidades de seres humanos? Como é que produzem as críticas culturais associadas com o “Eu” foram questões lançadas para discussão da plateia. Na sua perspectiva “all of the oriental disciplines - either martial arts or static and meditative techniques or even therapeutic manipulations – are nowadays called by contemporary turmoil to a challenge that is rich in suggestions, due to the massive social changes which are running over the very roots of contemporary society and the meaning of human presence on this planet”.
Prof. Cristiano Roque Barreira, da Universidade de São Paulo (Brasil), procura estudar o kime e sun-dome no âmbito do karaté. Com a comunicação “An intentional analysis of karate-do: kime and sun-dome between unveiling and veiling toward the Path of Emptiness”, visa levar a cabo uma análise fenomenológica do karaté-do, enquanto arte marcial proveniente de Okinawa, e que se espalhou pelo Japão e pelo mundo. Este estudo tem em consideração a análise das fontes bibliográficas sobre o karaté shotokan e entrevistas realizadas a mestres a viverem no Brasil.
Prof. John Clements, Director da ARMA (EUA), procura estudar as “Form from functions: motion and movement within renaissance fighting disciplines”. A sua investigação baseia-se no estudo dos movimentos dos guerreiros da idade média e do renascimento. Como os EUA não passou por estas fases históricas, as suas fontes são essencialmente europeias. John Clements procura demonstrar alguns desses movimentos aos congressistas presentes, procurando a discussão científica sobre a temática.
Prof. Zdenko Reguli, Universidade de Masaryk (República Checa) deu destaque a “Change from individual work to teamwork during the sangongeiko practice”. O seu estudo baseia-se no estudo do aikido. Apesar de algumas ideias feitas sobre o assunto, Reguli salienta que existe competição numa modalidade que visa a não competição. O autor procura estudar o sanbongeiko, encontrando quatro dimensões durante o treino de artes marciais: bio-psico-social-espiritual.
Prof. Gabriel Fife, da Universidade de Oregon (EUA), apresentou “A Comparison of Concussion Assessment and Management Protocols Used at Elite Taekwondo Tournaments in the Republic of Korea and the United States”. Segundo o autor “the taekwondo tournament medical personnel in South Korea and the USA who were surveyed encountered substantially different numbers of concussions during elite TKD tournaments, a result that may be partially explained by differences in medical training and years of experience between the groups. We recommend that TKD national governing bodies assign only medical personnel who have direct, significant work experience with the sport of TKD to provide medical care at national-level taekwondo tournaments. Given the recent worldwide concern about long-term consequences for athletes who have sustained multiple concussions, TKD national governing bodies would do well to review current concussion management and assessment protocols used by medical personnel in their countries, and identify a standard of care for concussion assessment and management that accommodates the unique physical and neurocognitive demands placed on national-level taekwondo tournament competitors”.
O II Congresso contou ainda com a apresentação de 13 posters alusivos às artes marciais e desportos de combate.
Houve oportunidade de ver uma demonstração de “Jogo do Pau”, pelos mestres Nuno Russo e Luís Preto, e durante o jantar de sábado, dia 16, foram visualizadas imagens de karate e de judo em Portugal dos anos 60 e 70, de António Cacho, um dos praticantes mais antigos em Portugal.
A sessão de Encerramento foi efectuada pelo Prof. Abel Figueiredo, e pela Prof.ª Paula, Prof.ª Paula Cardoso, responsável pelo Centro de Investigação do IPV, que destacaram a qualidade técnica das apresentações e agradeceram a todos os participantes.


II CCAMDC – Conclusões

O II CCAMDC contribuiu para:

i)Promoção de um encontro internacional, reunindo investigadores e outros profissionais, para reflexão e debate em torno da temática das artes de combate dual (artes marciais e desportos de combate);
ii)Reforço da comunidade científica internacional;
iii)Apresentação e divulgação dos resultados da prática científica e humanista em torno das artes marciais e desportos de combate;
iv)Promoção do conhecimento científico, explorando e fomentando as oportunidades que se revelem portadoras de potencialidades credíveis;
v)Sensibilização para a importância da investigação científica nestes domínios.

A organização está convicta de que a iniciativa permitiu robustecer cientificamente a comunidade inerente às artes marciais e desportos de combate no contexto das Ciências do Desporto. Espera-se que o evento se repita no futuro, construindo um mundo de concórdia e de entendimento, só possível com a edificação de múltiplas pontes de diálogo, e trazendo propostas para futuras linhas de investigação. Espera-se que nas próximas edições outras pessoas se juntem à iniciativa, numa dinâmica crescente e cada vez mais abrangente, contando ainda com a participação activa de todos.
As comunicações aceites para apresentação no congresso serão publicadas num Livro de Actas ou numa revista científica indexada. Para já, ficaram os proceedings: Abel Figueiredo (eds.), 2009 Scientific Congress on Martial Arts and Combat Sports, Associação para o Desenvolvimento e Investigação de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu e Escola Superior de Educação de Viseu, 2009.