Por ser um assunto actual, coloco aqui um texto do Professor Doutor Vítor Manuel Trindade, da Universidade de Évora, sobre o Dia Internacional da Alfabetização.
«Comemora-se no dia 8 de Setembro mais um Dia Internacional da Alfabetização, no intuito de chamar a atenção de todos nós para o drama daqueles - muitos são - que não possuem a ferramenta fundamental para o exercício pleno dos seus direitos, enquanto seres humanos. Na verdade, apesar dos esforços dos diferentes organismos internacionais, o analfabetismo continua a ser um flagelo dos nossos dias, afectando cerca de 30% da população do nosso planeta. / Instalados nas comodidades da civilização ocidental, temos tendência a esquecer aqueles a quem é negada a igualdade de oportunidades para construir esse mesmo conforto a que, não poucas vezes, valorizamos menos. Educados sob o signo da Economia, mesmo aqueles que entre nós possuem um analfabetismo funcional, preocupam-se, natural e compreensivelmente, mais em "ganhar a vida" do que em resolver o seu problema de acesso à informação que lhe permita melhorar, se possível, a sua qualidade de vida. / Em Portugal, constatamos, com preocupação e alguma mágoa, que apesar das boas vontades declaradas, a nível político, as medidas implementadas na vida real são escassas para as necessidades existentes, sem que tal levante pressões das comunidades para que o panorama se modifique para melhor. Se hoje estamos, felizmente, muito longe do cenário existente em 1974 - em que o índice de analfabetismo da população portuguesa rondava os 34% - a verdade é que a estimativa de 15% não nos deixa confortáveis. Tanto mais que teremos de pensar na acção do tempo sobre este fenómeno. Não existem estudos que nos permitam conhecer a verdadeira influência desta variável, mas certamente que pela inexorável lei da Vida, os analfabetos mais velhos daquele tempo, hoje já não o são, apenas porque deixaram de existir. Junte-se a esta tétrica realidade, as consequências do fenómeno do insucesso escolar, nas suas diversas vertentes - reprovações, desistências, abandono, etc. - e começa ser muito preocupante a falta de alfabetização dos mais jovens. A prova disto mesmo, temo-la todos os dias diante dos olhos. Basta estar atento ao que se passa nos locais onde se faz atendimento público: repartições, escolas, sistemas de transportes, comércio,...; São frequentes os casos dos jovens que nem sequer sabem identificar a informação necessária aos propósitos que os animam e que justificam a sua ida àqueles locais. Muitas vezes, nem conseguem consultar um horário de comboio! / Numa altura em que tanto se insiste na qualificação dos portugueses, parece-nos que todos - incluindo a Universidade - não seremos demais na luta contra este drama que afecta a nossa vida colectiva» (texto da autoria de Professor Doutor Vítor Manuel Trindade, Departamento de Pedagogia e Educação, da Universidade de Évora, publicado em 07/09/2007, http://www.ueline.uevora.pt/newsDetail.asp?channelId=7660D4C3-A594-41AC-B3CD-073A1B8BB9A3&contentId=BD2C67EE-1602-4EB6-A27C-5955B2F605F2».
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