“O futuro das nossas democracias é como a papoila, frágil como a flor, mas resistente porque renasce sempre"
“Humanidade – Despertar para a Cidadania Global Solidária” é o último livro de Fernando Nobre, do Círculo de Leitores, que foi apresentado em mais uma iniciativa do Clube Eborense, num jantar realizado segunda-feira à noite, no Restaurante M’ar de Ar Muralhas.
Para além do presidente da AMI e candidato à Presidência da República, Fernando Nobre, a iniciativa contará com a participação do professor Jorge Araújo, ex-reitor da Universidade de Évora a quem coube fazer a apresentação do convidado. Em declarações ao “Diário do Sul”, Jorge Araújo explicou que Fernando Nobre foi um companheiro seu de Bruxelas, tendo um estudado medicina e o outro Biologia. “É, portanto, uma pessoa que eu conheço há muitos anos, com quem me cruzei numa universidade que nos formatou para a cidadania e para a intervenção”, considerou. Ao fim de 40 e tal anos depois houve um reencontro com “um Fernando Nobre interventivo, lutador pela cidadania. Por isso, tenho imenso gosto de o reencontrar com esta força imensa para tentar inverter a marcha das coisas e, como tal, eu dou-lhe todo o meu apoio”, frisou, recordando que embora noutro registo é o mandatário para o distrito de Évora deste candidato à Presidência da República. Um homem de pensamentos que se vão imortalizando nos livros que escreve. É, desta forma, que Fernando Nobre se descreve. Este seu último livro resultou do facto de ter sentido necessidade de colocar em ordem os seus pensamentos. “Decidi fazer uma pausa e passar para o papel os escritos que tenho elaborado e que perspectivam a minha visão dos grandes problemas que a Humanidade enfrenta. É um recapitular de todas as coisas que me foram interpelando ao longo de 30 anos da minha acção humanitária pelo mundo”, salientou. Uma presença em acções concretas em cerca de 170 países que lhe deram uma visão global do mundo, “querendo agora alertar as consciências quanto aos grandes desafios que a Humanidade enfrenta e também Portugal”. Em seu entender, Portugal não pode estar aliado disso, deve estar devidamente alertado e saber tomar preventivamente as medidas que se impõem, de forma a reduzir o impacto desses desafios globais. “Os desafios são muitos, mas os mais importantes são a exclusão social, as alterações climáticas, o mau ordenamento jurídico internacional, o armamento, as correntes migratórias, a fome, o não atingir dos objectivos do milénio e, sobretudo, o futuro das nossas democracias que eu comparo muitas vezes às papoilas quanto à sua fragilidade, como flor que é, mas também à sua resistência tal como a papoila, a democracia renasce sempre”, sustentou. Quanto às soluções para estas problemáticas, Fernando Nobre defendeu que assentam num conceito de cidadania global solidária, passando por uma governação política e empresarial com ética, por um novo paradigma espiritual que deve começar em cada um de nós e que deve expandir-se pelo planeta inteiro. “Por isso, há esperanças, saibamos nós reagir atempadamente para ver se conseguimos mudar e vencer todos estes desafios que são importantes, quanto a mim”, sublinhou.
“O povo português é atento”
Instado sobre se considera o povo português consciente, o presidente da AMI opinou ser “um povo que está atento”. “Não nos esqueçamos que o nosso povo é um daqueles 12 a 14 povos que marcaram indelevelmente a história da Humanidade e a globalização, pois fomos nós que a começámos”, recordou. Por isso, considerou ser um povo que está informado, “embora sobre estas matérias nunca estejamos totalmente informados”. A questão da candidatura à Presidência da República foi inevitável, embora Fernando Nobre tenha salvaguardado as distintas situações. Contudo, não se imiscuiu da pergunta, afirmando que o que o impulsionou “foi apenas um gesto de cidadania de um cidadão português que entende que com a experiência que acumulou de três décadas de acção humanitária social no mundo, e em Portugal, poderia dar um contributo positivo numa situação particularmente difícil que o nosso país atravessa”. “Foi apenas isso que eu quis fazer, impulsionado por um imperativo de moral e de consciência”, frisou. Vítor Rosa, presidente do Clube Eborense, revelou-se bastante satisfeito com mais esta iniciativa, explicitando ter convidado Fernando Nobre “por ser um médico muito conhecido, fundador da AMI, capaz de mostrar uma visão da sua experiência, da perspectiva que tem da AMI e da crise de valores vigente”. “É um tema que interessa às pessoas e, assim, Évora tem um espaço que recria as tertúlias à antiga, juntando as pessoas em torno de um assunto que teve, uma vez mais, uma boa participação da sociedade civil”, asseverou. Nomes como Mário Soares e Leonor Beleza são alguns dos próximos convidados que estão previstos serem convidados pelo Clube Eborense, mas ainda em datas a definir.
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