domingo, 30 de novembro de 2008

Sinais dos tempos

  1. O abandono escolar na UE foi de cerca de 15%, em 2007. Portugal, como não poderia deixar de ser, apresentou a taxa mais elevada: 36,3%.
  2. Mais de um terço da população com idades compreendidas entre 18 e 24 anos não completou a escola e não frequenta cursos de formação profissional. Para quê, não é verdade?
  3. Apenas 13% da população activa adulta completou o ensino secundário. E já é muito...
  4. Cerca de 57% terminaram o 1.º Ciclo do básico. “Porreiro, pá”, lá diz... quem sabe...

Tudo isto são informações da insuspeita OCDE. Por cá, o INE e outros estudos referem que em Portugal:

  1. As expectativas dos consumidores atingiram valores muito baixos. Os mais baixos desde há cinco anos.
  2. O desemprego continua a subir. Eu já estou na lista.
  3. O crescimento da economia tem vindo a diminuir cada dia que passa.
  4. O endividamento público é de mais de 140 mil milhões de euros.
  5. O défice da Caixa Geral de Aposentações, no final de 2008, será superior a 3 mil milhões de euros. O valor, em 2005, era de 1,5 mil milhões.
  6. A emigração portuguesa retomou com força e vigor. Só Espanha, recebe entre 60 mil e 70 mil portugueses. Mas a contabilização é difícil.
  7. O número de imigrantes estrangeiros está a diminuir.
  8. O envelhecimento populacional é um dado adquirido.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Desemprego

Pela primeira vez em trinta e um meses, o número de desempregados inscritos no final do mês nos Centros de Emprego aumentou em Outubro, segundo informações do IEFP. Os sectores da construção e do imobiliário explicam parte dessa subida. São 76.751 desempregados.

“Já não se escrevem cartas de amor”

Adoro ler os livros do alentejano Mário Zambujal. Não querendo gastar o tempo na rua, ontem, à noite, terminei o romance “Já não se escrevem cartas de amor” (A Esfera dos Livros, 2008). A sua imaginação, humor e sensibilidade é, de facto, impressionante. É um escritor de mão-cheia. Na companhia de uma fumegante chávena de chá, este romance, de intriga apurada, proporcionou-me um ditoso serão.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lua

Quando penso em presentes para a minha companheira, penso em coisas modestas (um livro, um perfume, um telemóvel, um gps, uma viagem, etc.). O vencimento de um funcionário público com contrato de trabalho a termo não dá para muito mais. Vem isto a propósito para dizer que ao folhear (apressadamente) um jornal diário li uma notícia "engraçada": Roman Abramovich (proprietário do Chelsea FC) como prova do seu amor pela belíssima ex-modelo Dasha Zhukova comprou-lhe 40 hectares do único satélite natural da Terra. Dizem os entendidos que o terreno é visível a partir da Terra, com um telescópio. Os que adoram a Lua têm que se apressar, pois qualquer dia não têm nada.

Política

No passado dia 21 de Novembro, António Costa Dieb foi reeleito Presidente da Comissão Política Distrital. Concorreram duas Listas: a lista A, encabeçada pelo professor universitário Luís Sebastião, que contava com o apoio de António Dieb, obteve 70% dos votos; a Lista R, encabeçada por Carlos Sezões, obteve 30% dos votos. Apostar na dinamização do Partido, atrair independentes, apoiar as Secções e preparar as eleições (Europeias, Legislativas e Autárquicas) de 2009 são as principais preocupações de António Costa Dieb. Este será o seu terceiro mandato à frente do PSD Évora.

Laicidade


Jornada sobre Laicidade, 09/12/2008, Paris.

Tal como fiz com Toulouse, também recomendo uma visita a Paris. A minha ida está prevista para o dia 19 de Dezembro.

O que é a laicidade? Pois, a laicidade é um conceito de raiz cristã, que traduz a separação entre a esfera política e a espiritual.

Conferência Pública em Toulouse


Um tema sempre actual.
Toulouse é uma cidade lindíssima. Vale a pena a ida. Eu já lá estive muitas, muitas vezes. E, confesso, tenho saudades de lá voltar...

Dia Nacional da Adopção de Crianças

4749 pessoas já assinaram a petição na Internet, que será entregue na Assembleia da República, a solicitar a instituição de 10 de Maio de 2009 como o Dia Nacional da Adopção de Crianças. http://www.peticao.com.pt/ver-assinaturas.php?peticao=13
Como sei que o leitor é sensível a este assunto, e quer ajudar a lançar o debate, sensibilizando o poder judicial para uma maior rapidez dos processos, não fique de fora. Assine também.

Previsões

Para o próximo ano, a OCDE prevê a existência de 480 mil desempregado. Em 2010, a situação vai agravar-se, atingindo 498 mil pessoas. A confirmarem-se estas previsões, o desemprego volta a registar níveis historicamente elevados. Face a estes números, o Governo diz que o cenário poderia ser pior e não pretende alterar as regras do subsídio de desemprego. A oposição e os empresários não estão convencidos. Bruxelas, por seu turno, aconselha que os Estados-membros considerem a possibilidade de aumentar a duração do subsídio de desemprego.

710

«“EU NÃO SOU CÚMPLICE” 2008 tem sido um ano negro da violência doméstica em Portugal. Homicídios e tentativas de homicídio ultrapassam os números dos últimos 5 anos. Apesar de toda a consciencialização social, os dados apontam para um agravamento do problema. Urge, pois, enfrentá-lo com respostas mais eficazes. Neste sentido, a UMAR lança agora uma campanha dirigida aos homens para estes se solidarizarem com as vítimas de violência, retirarem o apoio aos agressores e se demarcarem publicamente dos seus actos. A campanha “Eu Não Sou Cúmplice” tem o objectivo de mobilizar as energias masculinas para esta batalha dos direitos humanos que está longe de estar ganha. Os homens abaixo-assinados repudiam toda e qualquer violência contra as mulheres, comprometendo-se na consciencialização e intervenção social da sociedade para a igualdade de género e promoção de uma cultura de não violência. Os homens abaixo-assinados apelam a todos os homens que não sejam cúmplices e testemunhas passivas da violência contra as mulheres.»
Assine: http://www.petitiononline.com/UMAR/petition.html. Eu já assinei. Sou o 710.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Investigação e Desenvolvimento (I&D) na Região do Alentejo

Portugal não é um país regionalizado. Assim sendo, não existe um sistema de inovação regional, mas sim um Sistema Nacional de Inovação (SNI). Consequentemente, os actores regionais de inovação do Alentejo são aqueles que pertencem ao SNI e que estão localizados na região do Alentejo. Uma abordagem regional às estratégias de inovação tem vindo a ganhar forma nas regiões portuguesas, apoiada em alguma descentralização de poderes e no facto das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento das diversas regiões terem sofrido reestruturações e terem ganho algumas funções e projectos (se bem que limitadas(os)) nestes domínios. No que respeita ao investimento em I&D, o Alentejo não é uma região particularmente rica em actividades, recursos e competência em investimento e desenvolvimento tecnológico. Na presente situação, tendo em conta o panorama actual alentejano e a sua capacidade de absorção reduzida, isto não é ainda um dos principais problemas. O Alentejo possui 112 unidades de investigação (INE, 2007), o que representa apenas 5,1% das unidades de I&D em Portugal. Com um total de 46.877 milhares de euros de despesa total em I&D (INE, 2007), onde praticamente metade corresponde ao Ensino Superior (44,3%), as Empresas representam 41,5% do valor, o Estado 12,8% do valor e onde as Instituições Privadas Sem Fins Lucrativos têm apenas um valor marginal (1,4%). Isto indica que o perfil das despesas em I&D é concentrado no sector do Ensino Superior, sendo a contribuição das empresas ligeiramente mais reduzida que a média nacional (38,5%).

39.373

Segundo o Observatório do Emprego Público, 39.373 é a redução do número de funcionários públicos entre Janeiro de 2006 e Dezembro de 2007. No final de 2007, o Estado empregava 529.177 pessoas, menos 6,5% que em 2005.

Isso não significa que os serviços tenham melhorado.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Livro "Sociologia da Inovação", de Luísa Oliveira

Terá lugar no próximo dia 26 de Novembro, pelas 18h30, na sala C103 (Ed. II), ISCTE, a sessão de lançamento do livro "Sociologia da Inovação. A Construção Social das Técnicas e dos Mercados", da autoria de Luísa Oliveira. A apresentação será feita pelos Professores Doutores João Freire e António Firmino da Costa.

Geminação entre Lisboa e Gaza

Eu já "assinei". E você? Vai ver que não custa nada.
http://www.petitiononline.com/ggaza/petition.html

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Falemos de avaliação SIADAP

Na qualidade de funcionário contratado pela CCDR Alentejo, fui avaliado em 2004, 2006 e 2007, através do Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho dos Trabalhadores da Administração Pública (SIADAP 3), suportado pela Lei n.º 66-B/2007, de 28 de Dezembro, e pela Portaria n.º 1633/2007, de 31 de Dezembro. Tive como avaliação global de desempenho (objectivos, competências comportamentais e atitude pessoal): 3,8 (Bom), 3,8 (Bom) e 3,5 (Bom), respectivamente. Fui sempre informado de que os contratados a termo certo não poderiam ter mais do que 3 pontos. Em 2005, o meu serviço não criou as condições para ser avaliado, bem como muitos outros colegas meus. Ou seja, uns funcionários foram, outros não.
Chega-se a 19 de Novembro de 2008, e fui convocado para uma reunião para se falar sobre a avaliação do corrente ano. Depois de muitos preâmbulos, foi-me dado a conhecer o actual formulário e as alterações que sofreu face aos anteriores. Ao que parece caiu o item “atitude pessoal”. É um ponto muito subjectivo. Por outro lado, alvitrou-se a necessidade urgente de pensarmos nos novos objectivos, mas nenhuma data me foi apresentada.
O meu contrato de trabalho cessa a 31 de Dezembro de 2008. Dia 18 de Dezembro entro de férias. Ou bem me engano ou a avaliação de 2008 seguirá caminhos semelhantes à do ano 2005. Mas se ela ocorrer, acho que me espera outra vez 3 pontos.
Entre outras, esta questão da avaliação SIADAP leva-me a constatar a desorganização dos serviços nesta matéria, pois os objectivos individuais deveriam ser definidos no início do ano e não no seu final, e, sem querer ser demagogo, esta avaliação, como está a ser aplicada, não serve absolutamente para nada, ou melhor, só serve para penalizar os trabalhadores.
Cento e vinte mil professores foram para a rua manifestar-se contra uma avaliação que consideram ser injusta. As vítimas do SIADAP, e que são muitas, deveriam fazer o mesmo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

“HARA”, Yukio Mishima e Centro Cultural de Belém (CCB)


O centro do indivíduo ocidental está no coração. Já o do japonês está no hara, ou, por outras palavras, no abdómen. Por isso, o harakiri era a forma mais significativa de um indivíduo tirar a própria vida no Japão dos samurais. Quando um guerreiro queria livrar-se de uma grande desonra ou demonstrar lealdade, ele sentava-se à maneira japonesa no tatami (tapete) e, com sua espada, furava a barriga, abrindo o corte até o outro lado. Mesmo durando horas, o sofrimento até à morte deveria ser suportado sem gritos ou choros pelo guerreiro, que agonizava em frente à família. No final, a sua cabeça era decepada e entregue aos parentes.
Vem isto a propósito para dizer que Yukio Mishima, nascido em 1925 com o nome de Hiraoka Kimitake, praticou o harakiri no dia em que conclui o seu último romance, A Queda do Anjo. Foi uma forma de protestar contra aquilo que ele considerava a descaracterização da milenar civilização nipónica.
O escritor japonês é um dos nomes indispensáveis da literatura daquele país, seja pela forma refinada ou pelo conteúdo opulento de suas obras. Tirar a própria vida, a 25 de Novembro de 1970, com o suicídio-ritual, era apenas uma das obsessões do “masoquista” e homossexual escritor que retratou em inúmeros livros a cultura japonesa na sua mais antiga tradição, aliada à influência ocidental.
Cores Proibidas, romance de 1951, da Editora Companhia das Letras, é uma dessas obras, que também é impregnada de “pinceladas” sobre a vida pessoal do autor. O livro coloca em causa as personalidades do misógino escritor Shunsuke Hinoki, um homem desprezado pelas mulheres que encheu-se de desprezo pela vida, e de Yuichi Minami, um jovem homossexual velado, que se divide entre a vida com sua esposa e a entrega aos prazeres nocturnos.

«Com o Ciclo Mishima, Um Esboço do Nada, o CCB evoca a figura e a obra de Yukio Mishima nas suas diversas vertentes: como dramaturgo, como romancista e como actor/personagem de cinema. Uma exposição construída pelo desenhador Tiago Manuel visita três obras fundamentais do autor de Confissões de Uma Máscara e Ko Murobushi, expoente da dança butô, apresenta-se no Pequeno Auditório.»

OFICINA:


OFICINA DE CALIGRAFIA JAPONESA PARA ESCOLAS, ADULTOS E FAMÍLIA

SALA D CPA

3 a 16 de Novembro

PREÇOS - Dias úteis 2€ Fins-de-semana e feriados 4€

EXPOSIÇÕES:


EXPOSIÇÃO DE TIAGO MANUEL GALERIA MÁRIO CESARINY

17 de Novembro a 14 de Dezembro

Inauguração às 19:00 (ENTRADA LIVRE)

Segunda a sexta-feira das 14:00 às 18:00

Sábados, domingos e feriados das 14:00 às 20:00



ESPECIAL CEDÊNCIA DE JORGE MEIRELES

SALA DE LEITURA

17 de Novembro a 14 de Dezembro

Inauguração às 19:00 (ENTRADA LIVRE)

Segunda a sexta-feira das 8:00 às 20:00

Sábados, domingos e feriados das 10:00 às 20:00

Afinal

Afinal, o Prof. António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, mal se demitiu, anunciou a sua recandidatura. Dizem os especialistas que se vier a ser reeleito reforça a sua posição na Academia e "prova" a Mariano Gago que a sua política terá cada vez mais dificuldades em passar na Cidade Universitária.

Era bom que assim fosse


Miguel Sousa Tavares é um dos jornalistas que mais aprecio pelas crónicas que escreve. Contudo, estou em desacordo com ele quando diz, no seu texto "Só restarão vencidos", publicado no jornal semanário Expresso, de 15.11.2008, que «(...) a avaliação é regra número 1 do contrato de trabalho: progride-se na profissão, é-se aumentado ou não, conforme os superiores hierárquicos ou o patrão avaliam o trabalho dos empregados. Sempre foi assim, nunca ninguém estranhou e ninguém quer de outra maneira». A minha experiência de trabalho na função pública diz-me que não é bem assim.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ensino superior

Ontem, dava conta de que a Universidade do Minho encerrava as portas por uns dias para poder pagar, justamente, os salários dos funcionários e docentes. Hoje, a notícia é a de que o reitor da Universidade de Lisboa, Prof. António Novoa, apresentou a sua demissão, durante a cerimónia de abertura do novo ano académico. Estou certo de que nos próximos dias haverá mais destaques. Isto é uma novela sem fim à vista.

Um blogue a não perder.

Existem muitos blogs, mas poucos são bons e acrescentam algo de útil em termos de informação. Entre muitos, recomendo este: http://oquatro.blogspot.com.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Assim vai o ensino superior

Já não é novidade para ninguém que muitas universidades portuguesas estão com gravíssimos problemas financeiros. Mas uma notícia saída no jornal Diário de Notícias, 12.11.2008, entristeceu-me. Reproduzo a notícia: «Universidade fecha para pagar subsídios. A Universidade do Minho (UM) encerra entre 22 e 27 de Dezembro para, com a redução na factura eléctrica, pdoer pagar os 20 por cento de subsídios de Natal de funcionários e docentes para os quais não têm dotação financeira. A proposta foi aprovada em reunião geral de alunos». Com um Portugal assim não vamos a lado nenhum.

Uma decisão justa

Supremo Administrativo anula colocação de seis trabalhadores na mobilidade especial

11.11.2008 - 18h22 Lusa

«O Supremo Tribunal Administrativo confirmou a decisão do Tribunal Central Administrativo do Sul que anulou a colocação de seis trabalhadores da Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura no regime de mobilidade especial, segundo o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.Em comunicado, o STE refere que, embora "lentamente", os tribunais administrativos portugueses "vão consolidando jurisprudência que acautele o direito ao trabalho e à ocupação efectiva dos trabalhadores". Bettencourt Picanço realçou a importância desta situação por ser uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo, mas principalmente "pelo seu conteúdo e pelos argumentos"."Existe o fundado receio de constituição de uma situação de facto consumado: a colocação dos associados do Recorrente [STE] na situação de mobilidade especial constitui para estes uma situação de instabilidade profissional e, consequentemente, familiar e emocional, a qual não será possível reverter no plano dos factos", lê-se no comunicado do sindicato, que cita um excerto do acórdão.
"É certo que a lei prevê mecanismos de apoio que visam minorar ou atenuar os efeitos da colocação dos funcionários na SME [mobilidade especial]. Mas, uma realidade é incontornável: os funcionários sujeitos a este regime passam de uma situação profissional de estabilidade para uma situação profissional de instabilidade", acrescenta.O acórdão do TC vai mais longe, segundo o comunicado do STE, ao afirmar que "não está indiciado minimamente o nexo da causalidade entre a redução com as despesas em salário desses funcionários em particular e a redução do défice público". E acrescenta: "Sucede que a criação de uma situação de instabilidade profissional aos funcionários públicos é, essa sim, prejudicial aos interesses do Estado, de forma mais relevante que o eventual, mas não demonstrado, sequer indiciariamente, prejuízo irreparável para a contenção do défice público".Ainda não foi possível obter qualquer comentário do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas sobre a decisão do Tribunal.»

domingo, 2 de novembro de 2008

Os estilos de karaté

Existe uma variedade de estilos (ryu, na designação japonesa) e sistemas de karaté em todo o mundo. Os quatro principais estilos de karaté, que são apelidados de “tradicionais” (reclamando-se de um regresso às origens, à pureza), são: Shotokan, Wado-Ryu (estilos japoneses), Goju-Ryu e Shito-Ryu (okinawenses). Cada estilo (ou variante) tem adeptos próprios e um programa específico de graduações (enquanto forma de verificar o desempenho e o desenvolvimento dos alunos). Para o karateca, o estilo é a base da sua identidade e é típico, senão frequente, ouvir (nos centros de prática, nos estágios, nos balneários, etc.) praticantes mais graduados a verbalizar que o estilo que praticam os prepara melhor do que os outros, sem que lhes faltem argumentos para justificarem a razão das técnicas aplicadas. Para uma melhor compreensão do leitor, vejamos alguns detalhes sobre cada um dos estilos de karaté, e que se encontram presentes em Portugal:

– Shotokan – Shoto foi o pseudónimo escolhido por Gichin Funakoshi (1868-1957) para assinar os seus poemas e o termo Shotokan significa “a casa de Shoto”. Neste estilo de karaté, a ênfase é colocada no kata (uma sequência predefinida de exercícios praticados sem parceiro), que usa posições baixas e fortes para garantir uma base sólida para as técnicas elementares. Embora tenha sido Funakoshi o fundador do Shotokan, na realidade foi o seu filho Yoshitaka (Gigo) Funakoshi (1906-1945) que o desenvolveu na forma em que hoje o conhecemos. Rapidamente cresceu em popularidade, suportado e regulado pela Japan Karaté Association (JKA), fundada em 1955, e pela Shotokan Karaté Association (SKA), fundada em 1968. O aparecimento tardio de outros estilos explica, segundo Pascal Le Rest (2000), a predominância do Shotokan na Europa. Historicamente, foi o primeiro estilo de karaté implantado em França nos anos cinquenta, «et pris ses lettres de noblesse» (Le Rest, 2000: 171), com o mestre japonês Kasé no início dos anos sessenta. É considerado como o mais tradicional e fundamentalista dos sistemas japoneses de karaté, e continua a sofrer de um forte conflito interno entre estas duas organizações. Os conflitos passam por vários aspectos, nomeadamente pela interpretação das técnicas, dos katas e dos conceitos básicos inerentes a esta arte.

– Goju-Ryu – significa estilo “duro-suave”. É uma combinação entre as técnicas chinesas suaves e os duros/violentos métodos de treino de Okinawa. Esta “escola” foi fundada por Chogun Miyagi (1888-1953). No kata, o Goju-Ryu enfatiza os movimentos rápidos e lentos, a tensão e o relaxamento, com um profundo controlo da respiração abdominal. Tem como característica os movimentos pequenos e firmes.

– Wado-Ryu – significa “o caminho da harmonia”. Quando Gichin Funakoshi realizava demonstrações, normalmente era acompanhado pelos seus melhores alunos. Hironori Ohtsuka (1892-1982) era um desses alunos, que começou a treinar com Funakoshi em 1926. Ohtsuka, baseado na sua experiência em várias artes marciais, nomeadamente o judo, e com um conhecimento aprofundado da “ciência dos pontos vitais” (atemi-waza), funda, em 1939, este estilo de karaté, que utiliza técnicas livres de tensão (movimentos súbitos). O Wado-Ryu apoia-se fortemente nos exercícios de demonstração desenvolvidos por Ohtsuka. As posições deste estilo são ligeiramente mais altas do que as usadas no Shotokan.

– Shito-Ryu – fundado, em 1939, por Kenwa Mabuni (1889-1952), este estilo combina dois dos principais estilos antigos de Okinawa (Shuri-te e Naha-te). As posições são naturais e nos ataques utilizam-se, normalmente, posições mais altas do que nas defesas. Utilizam-se muito as técnicas de mão aberta. Também é característica complementar deste estilo o estudo e a prática do kobudo (armas tradicionais japonesas). O japonês Yoshinao Nanbu, campeão de França em 1967, foi o principal impulsionador do karaté Shito-Ryu em França nos finais dos anos sessenta. Embora o Shito-Ryu seja popular no Japão, não se expandiu muito além fronteiras. Em França, por exemplo, e no seio da Fédérations Française de Karaté et Disciplines Associées (FFKDA), é considerado como um «parente pobre» (Le Rest, 2000: 171).

Cada estilo de karaté tem o seu programa de graduações, enquanto forma de verificar o desempenho e o desenvolvimento dos alunos, e o seu método de recompensa. A aspiração de qualquer praticante, seja em que estilo de karaté for, é o cinto negro (1.º dan), e os graus ulteriores, o que, para muitos, simboliza o poder e a força. Não a força física, mas a de influência sobre os outros. É o reconhecimento, a compensação e a consciência, para si e para os outros, de uma meta atingida. A obtenção do cinto negro requer muito trabalho, paciência, perseverança e coragem.

Referências bibliográficas:

KEN’EI, Mabuni (2004), La Voie de la Main Nue – Initiations et Karate-Do, Paris, Editions Dervy.
LE REST, Pascal (2000), Le karatéka et sa tribu, mythes et réalités, Paris, L’Harmattan.LE REST, Pascal (2002), Le visible et l’invisible du karaté: ethnographie d’une pratique corporelle, Paris, L’Harmattan.