quarta-feira, 19 de novembro de 2008

“HARA”, Yukio Mishima e Centro Cultural de Belém (CCB)


O centro do indivíduo ocidental está no coração. Já o do japonês está no hara, ou, por outras palavras, no abdómen. Por isso, o harakiri era a forma mais significativa de um indivíduo tirar a própria vida no Japão dos samurais. Quando um guerreiro queria livrar-se de uma grande desonra ou demonstrar lealdade, ele sentava-se à maneira japonesa no tatami (tapete) e, com sua espada, furava a barriga, abrindo o corte até o outro lado. Mesmo durando horas, o sofrimento até à morte deveria ser suportado sem gritos ou choros pelo guerreiro, que agonizava em frente à família. No final, a sua cabeça era decepada e entregue aos parentes.
Vem isto a propósito para dizer que Yukio Mishima, nascido em 1925 com o nome de Hiraoka Kimitake, praticou o harakiri no dia em que conclui o seu último romance, A Queda do Anjo. Foi uma forma de protestar contra aquilo que ele considerava a descaracterização da milenar civilização nipónica.
O escritor japonês é um dos nomes indispensáveis da literatura daquele país, seja pela forma refinada ou pelo conteúdo opulento de suas obras. Tirar a própria vida, a 25 de Novembro de 1970, com o suicídio-ritual, era apenas uma das obsessões do “masoquista” e homossexual escritor que retratou em inúmeros livros a cultura japonesa na sua mais antiga tradição, aliada à influência ocidental.
Cores Proibidas, romance de 1951, da Editora Companhia das Letras, é uma dessas obras, que também é impregnada de “pinceladas” sobre a vida pessoal do autor. O livro coloca em causa as personalidades do misógino escritor Shunsuke Hinoki, um homem desprezado pelas mulheres que encheu-se de desprezo pela vida, e de Yuichi Minami, um jovem homossexual velado, que se divide entre a vida com sua esposa e a entrega aos prazeres nocturnos.

«Com o Ciclo Mishima, Um Esboço do Nada, o CCB evoca a figura e a obra de Yukio Mishima nas suas diversas vertentes: como dramaturgo, como romancista e como actor/personagem de cinema. Uma exposição construída pelo desenhador Tiago Manuel visita três obras fundamentais do autor de Confissões de Uma Máscara e Ko Murobushi, expoente da dança butô, apresenta-se no Pequeno Auditório.»

OFICINA:


OFICINA DE CALIGRAFIA JAPONESA PARA ESCOLAS, ADULTOS E FAMÍLIA

SALA D CPA

3 a 16 de Novembro

PREÇOS - Dias úteis 2€ Fins-de-semana e feriados 4€

EXPOSIÇÕES:


EXPOSIÇÃO DE TIAGO MANUEL GALERIA MÁRIO CESARINY

17 de Novembro a 14 de Dezembro

Inauguração às 19:00 (ENTRADA LIVRE)

Segunda a sexta-feira das 14:00 às 18:00

Sábados, domingos e feriados das 14:00 às 20:00



ESPECIAL CEDÊNCIA DE JORGE MEIRELES

SALA DE LEITURA

17 de Novembro a 14 de Dezembro

Inauguração às 19:00 (ENTRADA LIVRE)

Segunda a sexta-feira das 8:00 às 20:00

Sábados, domingos e feriados das 10:00 às 20:00

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